27 de ago. de 2012

'O Estrangeiro', Albert Camus

Sofia Silva

Albert Camus (Foto: Reprodução)
'O estrangeiro' de Albert Camus é um daqueles livros clássicos, de autor com prêmio Nobel de Literatura, que se torna muito fácil de gostar ou odiar. Não é longo, tem lá suas 120/130 páginas dependendo da edição - que podem, com muita facilidade, serem finalizadas em uma tarde de sábado. Contudo, não se iluda, pois não é um romance que se engole com muita facilidade. Pelo contrário, podemos nos entediar quanto ao sentir na pele à passagem do tempo, os dias e meses que se correm no livro (mas não será isso proposital?).

A linguagem de Camus, nesse livro, é sucinta à base de frases pequenas e mas, diferente do último livro resenhado, essa característica não serve para dar ritmo, ela desenha paralelamente, o silêncio e a empatia de Meursault, o protagonista. Um homem comum, jovem escriturário, que vai à praia, ao cinema, frequenta o mesmo restaurante, tem uma namorada, é amigo do vizinho: situações cotidianas nada surpreendentes, esse é Meursault – para o mundo.

Guilherme Leme como Meursault
na peça O estrangeiro (Foto: Reprodução)
Por dentro, é apático e conformado com as desgraças da vida, pois pensa que de um jeito ou de outra elas acontecerão. Alimenta-se de alegrias imediatas e a história segue banhado por indiferença. Pode parecer pessimismo, mas não, a indiferença de Meursault é tamanha que ultrapassa esse status e chega à total ausência de sentimentos. Característica que pode soar irritante ou bela dependendo do leitor, já que o homem é realmente anêmico de espírito, o popular “tanto faz, tanto fez”.

O título do romance - que faz parte da trilogia do absurdo composta pelo ensaio 'O mito de Sísifo' e a peça de teatro 'Calígula' - tem sua áurea de mistério, uma vez que também pode ser traduzido como 'O Estranho' adjetivo que soa no mínimo adequado para a alma de Meursault. Como não poderia faltar, houve uma adaptação da obra para o cinema feita pelo diretor italiano Luchino Visconti, na qual Marcello Mastroianni interpreta Meursault em 1967 intitulado de Lo StranieroO filme mantém muitos diálogos fiéis ao livro e exploram elementos importantes como o sol, o calor e o suor que aparecem no livro com frequência.

Além do cinema, O Estrangeiro também subiu aos palcos do teatro, pela primeira vez, com adaptação do dinamarquês Morten Kirkskov tendo o ator brasileiro Guilherme Leme como Meursault dirigido pela atriz Vera Holtz. O espetáculo viajou pelo Brasil nesses dois últimos anos e em meados de 2012 ruma para a Europa a fim de cumprir Lisboa e Paris, além de participar do Festival de Edimburgo na Escócia.

Marcello Mastroianni como Meursault
no filme de Luchino Visconti, em 1968.

Outra curiosidade é que “O Estrangeiro” inspirou a música Killing an Arab da banda gótica The Cure, fazendo alusão ao livro, principalmente, nos versos: “I’m alive / I’m dead / I’m the stranger / Killing an arab”. A obra publicada em 1942 é impactante, com seus momentos altos quando o narrador personagem entra em um ciclo de reflexões claustrofóbicas na segunda metade do livro. Meursault não é nenhum anti-herói por negar seus sentimentos, ele simplesmente é desprovido deles, por mais que isso incomode todos a sua volta – inclusive quem se atreve a lê-lo! 



Título Original: L'étranger
Autor: Albert Camus
Isbn: 8577992705
Formato: 12x18cm
Páginas: 112
Gênero: Ficção
Tradução: Valerie Rumjanek
Editora: Edições BestBolso