Mostrando postagens com marcador renan guerra. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador renan guerra. Mostrar todas as postagens

16 de jul. de 2014

A aventura linguística de Vitor Ramil

Renan Guerra

Vitor Ramil é um músico com mais de 30 anos de carreira, que enveredou pelo caminho da literatura em 1995, com o lançamento de “Pequod”. Este ano ele lança seu quarto livro, intitulado “A Primavera da Pontuação” (Cosac Naify, R$ 32,90), que se passa num fantasioso mundo linguístico, onde pontos e vírgulas ganham vida.

Para alguns, Vitor é sempre o irmão do Kleiton e do Kledir, para outros agora virou o pai do Ian, mas em geral Vitor é um artista múltiplo e nossa conversa não poderia deixar de corresponder a sua pluralidade.

12 de jul. de 2014

#eueamonalisa: tirando uma selfie na exposição de arte

Renan Guerra

Todas as selfies que compõem esse post foram achadas
numa rápida pesquisa pelo Google.
Dia desses, eu estava visitando a exposição do Sebastião Salgado, “Gênesis”, na Usina do Gasômetro em Porto Alegre, quando, lá pelas tantas, um homem diz a sua mulher “nessa aqui, ó, as dunas são ótimas”, apontando para a obra exposta na parede. Logo, os dois se viram de costas para a fotografia que mostra belas dunas de areia da África e o moço posiciona seu celular para uma selfie romântica em frente à imagem. Eu, que queria seguir apreciando a exposição, tive que esperar o casal acertar a foto, depois de umas três tentativas, até conseguir ver as obras seguintes.

Nada disso me causou raiva, mas sim uma dúvida: qual o real sentido de uma foto em uma exposição fotográfica? Não me venham com uma desculpa relacionada à metalinguagem. Parece-me uma necessidade desmedida de fotografarmos tudo que vemos (e aqui me incluo no balaio), ao invés de aproveitarmos o momento. Nesse sentido, lembro que todas as pessoas que eu conheço que já foram ao Louvre, ao se aproximarem da “Monalisa”, de Da Vinci, surpreendem-se, para além de seu tamanho diminuto, com a quantidade de pessoas em seu entorno, tentando fotografá-la (e essas mesmas pessoas que conheço também têm fotos da Monalisa).

2 de set. de 2013

Por que devemos amar Elizabeth Olsen?

Renan Guerra

Elizabeth Olsen é o que de melhor a família Olsen pode oferecer ao cinema. Se por um lado as irmãs Mary-Kate e Ashley desistiram da carreira no cinema (sejamos realistas: nos inúmeros filmes nos quais elas viajaram pelo mundo, podemos salvar uns três ou quatro que possuem dignidade, os outros são apenas passatempo para uma sessão da tarde em dias muito monótonos), por outro, surge Elizabeth, que se mostra uma estrela em ascensão no cinema hollywoodiano. Olsen tem pouco mais que cinco filmes no currículo (e mais uma penca em pré/pós produção), mas já prova que é uma pérola no meio do cinema americano. Ouso até a dizer que não tínhamos nada tão interessante desde Natalie Portman (deixo a Chloe Moretz para mais adiante, ela ainda está muito nova).

6 de ago. de 2013

Artistas da vida adulta

Renan Guerra

Sharon Van Etten
“Tell me how not to stop all these tears and fears 
So nothing else will drop, 
So all this pain will stop.”

"Ask", de Sharon Van Etten


Quando fiz a lista dos melhores discos de 2012 para a Tudo e Etc, escrevi o seguinte sobre o álbum “Tramp”, da Sharon Van Etten: “um álbum de canções para agarrarmos com as unhas e sentirmos elas nos abraçando e dizendo ‘é difícil essa história de viver, mas vamos lá’ [...] Sharon faz canções com força para sustentar o peso do mundo e nos embalar.” Curioso é que essa sensação de canções que sustentam o mundo tem me voltado constantemente quando escuto determinados artistas, acompanhados de uma sensação de que estes artistas são maduros o suficiente para me mostrar os meandros de se viver, assim os chamo de “artistas da vida adulta”.

4 de jun. de 2013

Os leitores de Nova Iorque pelas lentes de Ourit Ben-Haim

Renan Guerra
 
Perdemos muito e muito tempo nos caminhos até nosso destino, esperamos demais pelo transporte público e muito passamos dentro dele. Nesse espaço, a leitura se torna uma grande companheira, um espaço de fuga do comezinho cotidiano. E é isso que as lentes da fotógrafa nova-iorquina Ourit Ben-Haim captam: a viagem pelas páginas dos livros em meio a multidão do metrô de Nova Iorque. Ourit une as fotos sob o título de "Underground New York Public Library" e acredito que não há nome melhor. Encerro aqui essas míseras palavras, pois as fotos, em toda sua simplicidade, revelam muito sobre o cotidiano das grandes cidades e da mágica da literatura.

19 de mai. de 2013

A alegria-triste de Ana Larousse

Renan Guerra


Acredito que as coisas que me conquistam aos poucos são as mais intensas, e assim tem sido com as canções de Ana Larousse, em seu lindo disco “Tudo começou aqui”. Ele me chegou em um momento certo, no qual eu precisava ser acolhido pela amargura de suas letras e pela doçura de seu ritmo. É num dia ruim, em que estamos cansados das demandas diárias e de viver em sociedade (tendo que jogar com os defeitos e artimanhas dos outros), que Ana cantarola baixinho em meus ouvidos: “A vida cansa pra valer / Eu mesma vou adoecer / Talvez antes de ter histórias pra contar / Antes de ver o amor passar / Isso deve doer.” Aí é paixão completa, pois como escreveu Luiz Felipe Leprevost, “Ana canta o que dói de um jeito que salva”.

5 de mai. de 2013

O cara que dá vida aos objetos

Renan Guerra

Sabe quando você percebe carinhas pela cidade? Seja nos faróis dos carros, nas portas e janelas, ou até mesmo nos mais ínfimos objetos? Às vezes ainda imaginamos um mundo em que os objetos falam e tem sensações assim como humanos, numa fábula à la “A Bela e a Fera”, na qual xícaras, talheres e castiçais saem por aí cantarolando e dançando. Pode soar como coisa de criança, porém foi numa dessas, quando o papel higiênico chegou ao fim e sobrou apenas o rolinho de papelão, que Guilherme Bandeira deu start no seu projeto Objetos InAnimados. “O papel acabou e me coloquei no lugar daquele rolinho que tinha se libertado do ‘rolo’ em que estava. Já na prancheta, resolvi criar um diálogo entre o rolo liberto e o rolo ainda preso nos papeis... A partir daí nunca mais consegui ver os objetos da mesma maneira”, revela o publicitário.

17 de abr. de 2013

Tentativa de compreender o amor nº 3

Renan Guerra

Foto: Nycolas Ribeiro
Tentar compreender o amor rende e acabei chegando à terceira empreitada. Mas não se preocupem, esse ciclo se encerra aqui, como uma bela trilogia. O que ainda me inquieta são todas as expectativas que criamos em torno do amor: desde que nos conhecemos por gente lá estava a princesa à espera de seu príncipe encantado entrando num cavalo branco, nem que ele fosse o Sérgio Malandro conquistando o coração de Xuxa em “Lua de Cristal”, mas, ainda assim, o momento da felicidade amorosa chegaria para todos. Começam aí as expectativas. Depois Macaulay Culkin tem seu “O Primeiro Amor” e lá vamos nós esperar por amores tão singelos quanto o dos dois adolescentes. Entretanto, só nos ferramos, é um sem-número de comédias românticas a nos entupir de sonhos, seja Meg Ryan e suas confusões ou Julia Roberts e seus amores eternos.

3 de abr. de 2013

O humor silencioso de Orlando Pedroso

Renan Guerra

Foto: acervo pessoal
Conversei via e-mail, há tempos, com Orlando Pedroso e a conversa foi tão boa – ele me respondeu coisas tão bonitas – que eu queria produzir um belo texto e não apenas distribuir as respostas por aqui, mas nada me vinha à mente e de repente o tempo foi passando e as belas respostas do ilustrador foram ficando guardadas apenas no meu e-mail, quando deveriam ser de conhecimento de todos.

30 de mar. de 2013

Clássicos do cinema em letreiros de neon

Renan Guerra

Mr. Whaite
O ilustrador e animador Michael Whaite (a.k.a. Mr.Whaite) é um aficionado por letreiros em neon e resolveu transformar grandes clássicos do cinema em incríveis letreiros, daqueles que encontraríamos espalhados por Las Vegas. O neon sempre foi utilizado como uma forma de publicidade que mesclava arte, simplicidade e, também, arquitetura, uma vez que ficava inserido no cotidiano urbano. Em Las Vegas, por exemplo, há até mesmo um museu que reúne as peças clássicas da cidade. Mr. Whaite, um inglês de Manchester, usa de uma ideia simples e de momentos marcantes dos longas, para criar cartazes em forma de gifs que são muito legais. Veja alguns deles abaixo e conheça outros trabalhos no site.

21 de mar. de 2013

Punk rock também é pra veado!

Renan Guerra

Gays só escutam pop? Não é o que acredita Carlos Tostes, o Mamá. De acordo com ele, “isso vem no pacote quando se é gay, né? Pois é... tem algumas coisas que eu até gosto sim, mas não costumo escutar  muito não, só quando estou em algum canto que toca e tals... eu acho bizarro essa relação de você ter que escutar por ser gay, eu costumo dizer que o meio ‘gay convencional’ não me representa em nada, me soa muito uma reprodução hétero normativa, e é algo que costumo passar bem longe”. Mamá é o vocalista da banda de queercore Teu pai já sabe? e defende a tese de que punk rock também é coisa de veado!

15 de mar. de 2013

Tentativa de compreender o amor nº 2

Renan Guerra

Foto: Nycolas Ribeiro
Este é o segundo exemplar daquilo que chamo ousadamente de “compreensões amorosas”, as quais se aproximam mais de incompreensões. Nessas de amar, desamar, magoar e tentar compreender, a trilha sonora que sempre me acompanha é uma das músicas mais amargas de Chico Buarque: “Trocando em miúdos”, em que um casal tenta dividir seus pertences, desde alianças até aquele livro do Neruda “que você me tomou e nunca leu”. Pimba. A maior mágoa de todas: o fim de um relacionamento [não ouso chamar de amor, já que amores não acabam assim, no máximo se acalmam, escondem-se, esfriam, amores de verdade não se vão tão fácil].

23 de fev. de 2013

Tentativa de compreender o amor nº 1

Renan Guerra

(Foto: Iuri Lopes)
No mesmo dia em que começo a ler o livro “Amor Líquido”, de Zigmunt Bauman, acontece-me um daqueles momentos de epifania: ando pela rua normalmente quando percebo que a menina à minha frente está aos prantos no seu celular. Ela chora e caminha, enquanto pergunta desconsolada para a pessoa ao outro lado da linha “você não me ama? Você conheceu outra mulher, foi isso?”. Ela segue seu rumo e eu sigo o meu, mas a imagem dela, tão frágil e exposta assim pela rua, marcou-me em algo que eu chamaria de sincronicidade.

3 de fev. de 2013

Minha babel cinematográfica

Renan Guerra

Há quatro anos adotei uma postura de vida: nada de filmes dublados. Às vezes abro concessões apenas para algumas animações, pois as do diretor Sylvain Chomet, por exemplo, só com o áudio original. Com isso, privei-me de filmes na TV aberta, exceto pelas clássicas reprises de “A Família Buscapé”, já que a dublagem é parte da memória afetiva que tenho com o filme. Parece, porém, que nado contra a maré, pois a TV Cultura, por exemplo, que até um ano atrás exibia apenas filmes legendados, passou a ter duas sessões por semana em que exibe longas dublados e apenas uma com legendados.

27 de dez. de 2012

Vitor Araújo: pés no piano, cabeça no mundo

Renan Guerra


Vítor Araújo é uma figura ímpar no cenário musical brasileiro: um pianista de 24 anos que caminha numa linha tênue entre a música erudita e a pop. Tocando piano desde os nove anos, Vitor viu sua imagem ser catapultada na mídia em 2008, com apenas 18 anos, participando de atrações como o “Programa do Jô” e “Caldeirão do Huck”, principalmente pelo choque causado por sua mistura entre clássico e popular, especialmente nas intensas sequências em que o pernambucano pisa rebeldemente sobre o piano com seus All Stars surrados.

15 de nov. de 2012

Entre as paredes da videolocadora


(Foto: Renan Guerra)
Esses dias, lendo uma das tirinhas d’O Pintinho, deparei-me com uma situação que eu ainda fingia ser uma percepção social exagerada: o fim das videolocadoras. Mas a era do streaming chegou e nos dominou. Agora, enquanto escrevo esse texto, relembro que faz no mínimo uns seis meses que eu não entro em uma videolocadora, levando em consideração que esse dado cotidiano de minha vida é, sim, relevante, já que ainda acho interessantíssimo e adoro o hábito de alugar filmes e todo aquele ritual que isso envolve.

31 de out. de 2012

Entre Los Angeles e Cabul, Ariana Delawari

Renan Guerra
Colaboração Nycolas Ribeiro

David Lynch é um diretor de cinema quase guru.  Além de dirigir maluquices como “Cidade dos Sonhos” e “Veludo Azul”, ele ainda viaja pelo mundo divulgando estilos de meditação e, de quebra, lhe sobra tempo para nos apresentar novidades incríveis, como a maravilhosa Ariana Delawari, com quem tive o prazer de trocar delicados e-mails. A artista norte-americana está no Brasil para lançar seu filme, o documentário “We came home”, que fala sobre suas raízes afegãs após o 11 de Setembro, pois depois da tragédia seus pais mudaram-se para o Afeganistão para ajudar na reconstrução da cidade Cabul. Ariana viveu 10 anos entre os dois países, filmando, fotografando e fazendo música, numa tentativa de compreender sua relação com o país e sua descendência afegã. Além de cineasta, já temos acesso ao delicioso álbum de estreia de Ariana, “Lion of Panjshir”, lançado em 2009, em que ela mescla a cultura ocidental e oriental.

17 de out. de 2012

As ruas de Brunno Monteiro

Renan Guerra

A música tem se tornado cada vez mais cheia de nichos e misturas. Todo dia surge uma nova tag: minimal techno, math rock, freak folk e por aí vai. No Brasil se discute o que é MPB, o que seria o rock nacional, enquanto incluímos guitarras no samba e atabaques no rock. O carioca Brunno Monteiro é desses que não cabem nos rótulos, já que, quando eu escutava “Ecos da Rua”, disco de estreia do músico, um amigo passou perguntando se eu estava ouvindo reggae, aí eu disse “não, isso está mais para rock”.
Grunge, cotidianidades e MPB são algumas das coisas que me remetem o som de Brunno, o qual passeia em suas canções pelas ruas cariocas. Mas não se engane antes de ouvi-lo, ele não caminha pelas mesmas ruas que Vinícius de Moraes ou Tom Jobim, as ruas de Brunno são universais, remetem tanto ao Rio de Janeiro, quanto a Belém, Seattle ou França. Entre o centro carioca e a imensidão da internet, o cantor mistura sonoridades, cria canções simples para um mundo complexo e ainda conversa com a Tudo & Etc:

10 de out. de 2012

Holger: sem pedância, brasileiros.

Renan Guerra

Com a internet mais rápida, estranhamente cada vez mais os artistas demoram a responder e-mails, não sei se por atribulações cotidianas ou outros motivos. Contudo, esse não é o caso da banda Holger, pois no mesmo dia em que enviei um e-mail para eles, o Marcelo Pata, multi-instrumentista, vocalista e compositor da banda, respondeu-me de imediato. E nessa rápida troca de e-mails uma coisa ficou muito clara: a Holger é pura diversão, mas com uma consciência ampla do que faz e de como faz. Em alguns momentos, o tom quase formal de nossa conversa não refletia a total extroversão que a banda transparece em suas músicas e nas suas atitudes virtuais. Talvez a forma como escrevi o primeiro e-mail tenha ditado o tom subsequente, mesmo assim nossa conversa rendeu.

3 de out. de 2012

Não se pode bailar sozinho

Renan Guerra

Vivemos nesse eterno paradigma de estarmos tão próximos geograficamente de nossos vizinhos latinos e ao mesmo tempo tão distantes socialmente. Às vezes, em especial pelo aspecto linguístico, o Brasil fica aqui, imenso e distante desse mundo chamado América Latina. Porém, continuar exclamando as nossas distâncias, físicas e simbólicas, não nos leva a lugar algum. Atentarmos nossos olhos e ouvidos para essa imensidão é que pode ser o fruto de uma mudança significativa e é com esse intuito que surge o “Si no puedo bailar, no es mi revolución”, uma rede de trocas culturais que fomenta a produção independente e gera desde coletâneas musicais até livros. Reunindo artistas de toda a América Latina, o projeto cresce cada vez mais e por isso mesmo agora eles se tornam parceiros da Revista Tudo & Etc, para que aos poucos possamos presenciar  a produção artística latino-americana mais próxima de nós. Para conhecer mais sobre o Si no puedo bailar e suas produções, nós conversamos com o Rodrigo Maceira, um dos criadores do projeto e você pode conferir a entrevista na íntegra a seguir: