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16 de jul. de 2014

A aventura linguística de Vitor Ramil

Renan Guerra

Vitor Ramil é um músico com mais de 30 anos de carreira, que enveredou pelo caminho da literatura em 1995, com o lançamento de “Pequod”. Este ano ele lança seu quarto livro, intitulado “A Primavera da Pontuação” (Cosac Naify, R$ 32,90), que se passa num fantasioso mundo linguístico, onde pontos e vírgulas ganham vida.

Para alguns, Vitor é sempre o irmão do Kleiton e do Kledir, para outros agora virou o pai do Ian, mas em geral Vitor é um artista múltiplo e nossa conversa não poderia deixar de corresponder a sua pluralidade.

9 de jul. de 2014

Um despretensioso olhar sobre o nu masculino

Não é preciso uma contextualização aprofundada para afirmar que vivemos em uma sociedade sexista. Além disso, a cultura machista tenta a cada dia (se ainda for possível) despir mais o corpo feminino enquanto se horroriza com homens sem roupas. Parece ser assunto do passado, mas é mais atual do que se pensa. Quando, por exemplo, surge um projeto de nu masculino, logo ele é reconhecido como algo voltado exclusivamente para o público gay ou apenas mais um trabalho que ofende aos bons costumes da família patriarcal. E é nessa realidade já conhecida que o projeto de Gianfranco Briceño surge.

22 de mai. de 2013

Os mineiros da Bona Fortuna

Nycolas Ribeiro

Foto: Divulgação
Esta semana a banda mineira Bona Fortuna divulgou um vídeo acústico para a música “A Solidão” e, com um vestuário que lembra os caras do Munford and Sons, André Araújo (voz e guitarra), Davi Queiroz (guitarra), Felipe D'Angelo (piano), Filipe Oliveira (baixo) e Lucas Oliveira (bateria), mostram uma harmonia musical invejável em um vídeo fotograficamente bonito, gravado no Hotel do Teatro em Ouro Preto. Influenciado pela produção audiovisual, a banda voltou a tocar no repeat do meu Media Player. 

19 de mai. de 2013

A alegria-triste de Ana Larousse

Renan Guerra


Acredito que as coisas que me conquistam aos poucos são as mais intensas, e assim tem sido com as canções de Ana Larousse, em seu lindo disco “Tudo começou aqui”. Ele me chegou em um momento certo, no qual eu precisava ser acolhido pela amargura de suas letras e pela doçura de seu ritmo. É num dia ruim, em que estamos cansados das demandas diárias e de viver em sociedade (tendo que jogar com os defeitos e artimanhas dos outros), que Ana cantarola baixinho em meus ouvidos: “A vida cansa pra valer / Eu mesma vou adoecer / Talvez antes de ter histórias pra contar / Antes de ver o amor passar / Isso deve doer.” Aí é paixão completa, pois como escreveu Luiz Felipe Leprevost, “Ana canta o que dói de um jeito que salva”.

8 de mai. de 2013

A música introspectiva do Suuns

Nycolas Ribeiro

Imagine-se em uma (boa) viagem lisérgica. Um cenário que te deixe confortável, variando entre uma festa intimista com luzes baixas no seu apartamento, ou um sexo suado ao som do seu artista favorito. Tudo em slow motion. Sorrisos e garrafas vazias. Você se chama Edie? Pode ser um sonho, o mais niilista deles. Nada precisa fazer sentido, desde que seja real para você. Deixe que as batidas eletrônicas e a guitarra afinada sejam as únicas coisas sóbrias dessa cena. Esse é o êxtase todo por trás da experiência de ouvir Suuns.

5 de mai. de 2013

O cara que dá vida aos objetos

Renan Guerra

Sabe quando você percebe carinhas pela cidade? Seja nos faróis dos carros, nas portas e janelas, ou até mesmo nos mais ínfimos objetos? Às vezes ainda imaginamos um mundo em que os objetos falam e tem sensações assim como humanos, numa fábula à la “A Bela e a Fera”, na qual xícaras, talheres e castiçais saem por aí cantarolando e dançando. Pode soar como coisa de criança, porém foi numa dessas, quando o papel higiênico chegou ao fim e sobrou apenas o rolinho de papelão, que Guilherme Bandeira deu start no seu projeto Objetos InAnimados. “O papel acabou e me coloquei no lugar daquele rolinho que tinha se libertado do ‘rolo’ em que estava. Já na prancheta, resolvi criar um diálogo entre o rolo liberto e o rolo ainda preso nos papeis... A partir daí nunca mais consegui ver os objetos da mesma maneira”, revela o publicitário.

19 de abr. de 2013

O pai de Armandinho

Nycolas Ribeiro

Foto: Janyne Sattler

Dia desses, procrastinando no Tumblr, vi uma foto de intervenção urbana em uma placa que dizia “Don’t grow up. It’s a trap”. Refleti sobre a frase e concordei com o conselho e a ideia de que a vida adulta é realmente uma armadilha. Tornamo-nos burocráticos, pragmáticos e obstinados por ideais superficiais. Por um doce contraponto, a minha timeline no Facebook me apresentou o olhar sobre a vida com sensibilidade e inocência invejáveis do pequeno Armandinho e as delícias de ser criança.  Os incessantes compartilhamentos das tirinhas do guri que mal alcança os joelhos dos pais, fez com que, através de seus certeiros questionamentos, eu refletisse sobre situações corriqueiras em que me encontro e os posicionamentos que tomo na vida.

12 de abr. de 2013

Além do samba: o Placebo de João Cavalcanti

Nycolas Ribeiro

Foto: Divulgação
Uma cartela com onze comprimidos em um tom de rosa sóbrio e um convite – como uma sutil bula – para experimentar um placebo por dia. Essa é a proposta do site do músico João Cavalcanti: te oferecer uma amostra de pílulas de seu álbum “Placebo”, lançado em outubro do ano passado, apresentando, assim, a estreia na carreira solo do também vocalista do grupo de samba Casuarina, fundado em 2001. Teimoso, consumi todos em um só dia e o tratamento terapêutico com este “falso fármaco musical” se mostrou, para mim, uma das melhores experiências com a música brasileira, já que tenho um majoritário gosto por artistas internacionais.

3 de abr. de 2013

O humor silencioso de Orlando Pedroso

Renan Guerra

Foto: acervo pessoal
Conversei via e-mail, há tempos, com Orlando Pedroso e a conversa foi tão boa – ele me respondeu coisas tão bonitas – que eu queria produzir um belo texto e não apenas distribuir as respostas por aqui, mas nada me vinha à mente e de repente o tempo foi passando e as belas respostas do ilustrador foram ficando guardadas apenas no meu e-mail, quando deveriam ser de conhecimento de todos.

29 de mar. de 2013

Os achados humanos de Camila

Nycolas Ribeiro


Camila Svenson por Christian Bravo Montrigaud

“- Posso tirar uma foto sua?
- Uma foto minha? Mas por que?
- Porque você me interessou.”


Com a descrição “um breve ensaio sobre desconhecidos”, a paulista Camila Svenson alimenta o Tumblr e página do Facebook de seu projeto, Achados Humanos, com fotografias de gente do cotidiano, que podem ser a sua tia de segundo grau, o taxista da praça, a filha do açougueiro do bairro ou o gurizinho do prédio que aperta sua campainha e sai correndo.

21 de mar. de 2013

Punk rock também é pra veado!

Renan Guerra

Gays só escutam pop? Não é o que acredita Carlos Tostes, o Mamá. De acordo com ele, “isso vem no pacote quando se é gay, né? Pois é... tem algumas coisas que eu até gosto sim, mas não costumo escutar  muito não, só quando estou em algum canto que toca e tals... eu acho bizarro essa relação de você ter que escutar por ser gay, eu costumo dizer que o meio ‘gay convencional’ não me representa em nada, me soa muito uma reprodução hétero normativa, e é algo que costumo passar bem longe”. Mamá é o vocalista da banda de queercore Teu pai já sabe? e defende a tese de que punk rock também é coisa de veado!

5 de nov. de 2012

Quando a câmera captura a realidade de uma cena


Cena do documentário Working man´s death (2004)
"Querida escuridão, você não me cobrirá novamente?" - diz uma das letras mais envolventes da trilha sonora de “Whory´s Glory” (2011), documentário experimental de Michael Glawogger, que mostra com excentricidade o submundo da prostituição no México, na Tailândia e em Bangladesh. Ao assistir a atmosfera pesada e rubro-negra das cenas que fizeram o diretor terminar seu projeto-mór, o expectador pode se perguntar: quem filmou isso?

31 de out. de 2012

Entre Los Angeles e Cabul, Ariana Delawari

Renan Guerra
Colaboração Nycolas Ribeiro

David Lynch é um diretor de cinema quase guru.  Além de dirigir maluquices como “Cidade dos Sonhos” e “Veludo Azul”, ele ainda viaja pelo mundo divulgando estilos de meditação e, de quebra, lhe sobra tempo para nos apresentar novidades incríveis, como a maravilhosa Ariana Delawari, com quem tive o prazer de trocar delicados e-mails. A artista norte-americana está no Brasil para lançar seu filme, o documentário “We came home”, que fala sobre suas raízes afegãs após o 11 de Setembro, pois depois da tragédia seus pais mudaram-se para o Afeganistão para ajudar na reconstrução da cidade Cabul. Ariana viveu 10 anos entre os dois países, filmando, fotografando e fazendo música, numa tentativa de compreender sua relação com o país e sua descendência afegã. Além de cineasta, já temos acesso ao delicioso álbum de estreia de Ariana, “Lion of Panjshir”, lançado em 2009, em que ela mescla a cultura ocidental e oriental.

17 de out. de 2012

As ruas de Brunno Monteiro

Renan Guerra

A música tem se tornado cada vez mais cheia de nichos e misturas. Todo dia surge uma nova tag: minimal techno, math rock, freak folk e por aí vai. No Brasil se discute o que é MPB, o que seria o rock nacional, enquanto incluímos guitarras no samba e atabaques no rock. O carioca Brunno Monteiro é desses que não cabem nos rótulos, já que, quando eu escutava “Ecos da Rua”, disco de estreia do músico, um amigo passou perguntando se eu estava ouvindo reggae, aí eu disse “não, isso está mais para rock”.
Grunge, cotidianidades e MPB são algumas das coisas que me remetem o som de Brunno, o qual passeia em suas canções pelas ruas cariocas. Mas não se engane antes de ouvi-lo, ele não caminha pelas mesmas ruas que Vinícius de Moraes ou Tom Jobim, as ruas de Brunno são universais, remetem tanto ao Rio de Janeiro, quanto a Belém, Seattle ou França. Entre o centro carioca e a imensidão da internet, o cantor mistura sonoridades, cria canções simples para um mundo complexo e ainda conversa com a Tudo & Etc:

10 de out. de 2012

Holger: sem pedância, brasileiros.

Renan Guerra

Com a internet mais rápida, estranhamente cada vez mais os artistas demoram a responder e-mails, não sei se por atribulações cotidianas ou outros motivos. Contudo, esse não é o caso da banda Holger, pois no mesmo dia em que enviei um e-mail para eles, o Marcelo Pata, multi-instrumentista, vocalista e compositor da banda, respondeu-me de imediato. E nessa rápida troca de e-mails uma coisa ficou muito clara: a Holger é pura diversão, mas com uma consciência ampla do que faz e de como faz. Em alguns momentos, o tom quase formal de nossa conversa não refletia a total extroversão que a banda transparece em suas músicas e nas suas atitudes virtuais. Talvez a forma como escrevi o primeiro e-mail tenha ditado o tom subsequente, mesmo assim nossa conversa rendeu.

3 de out. de 2012

Não se pode bailar sozinho

Renan Guerra

Vivemos nesse eterno paradigma de estarmos tão próximos geograficamente de nossos vizinhos latinos e ao mesmo tempo tão distantes socialmente. Às vezes, em especial pelo aspecto linguístico, o Brasil fica aqui, imenso e distante desse mundo chamado América Latina. Porém, continuar exclamando as nossas distâncias, físicas e simbólicas, não nos leva a lugar algum. Atentarmos nossos olhos e ouvidos para essa imensidão é que pode ser o fruto de uma mudança significativa e é com esse intuito que surge o “Si no puedo bailar, no es mi revolución”, uma rede de trocas culturais que fomenta a produção independente e gera desde coletâneas musicais até livros. Reunindo artistas de toda a América Latina, o projeto cresce cada vez mais e por isso mesmo agora eles se tornam parceiros da Revista Tudo & Etc, para que aos poucos possamos presenciar  a produção artística latino-americana mais próxima de nós. Para conhecer mais sobre o Si no puedo bailar e suas produções, nós conversamos com o Rodrigo Maceira, um dos criadores do projeto e você pode conferir a entrevista na íntegra a seguir:

24 de set. de 2012

Ele não é de Barcelona

Nycolas Ribeiro

Emanuel Lundgren
“Eu sou de Barcelona”, dizia constantemente o Manuel, personagem evidentemente espanhol da sitcom Fawlty Towers. Ele era garçom do hotel que leva o nome da série britânica da década de 70 e divertia o público com seu bigode avantajado e um inglês confuso. No verão de 2005, alguns amigos do sueco Emanuel Lundgren faziam piadas com o nome do amigo e o do personagem de Fawlty Towers. Atualmente, com um bigode parecido, exceto pela coloração ruiva, Emanuel lidera o coletivo I’m From Barcelona, batizado pelo bordão do garçom Manuel.

19 de set. de 2012

A melancolia e a beleza de Daughn Gibson

Renan Guerra
Colaboração Nycolas Ribeiro

Capa do disco 'All Hell'
Músicas que mesclam country com dubstep podem parecer uma bizarrice e tanto em nossa imaginação, mas o americano Daughn Gibson transformou isso em melancolia e beleza no seu debut 'All Hell'. Com 25 anos, 2012 é um grande ano para Daughn, que viu seu álbum ser agraciado com elogios da imprensa, desde o The Guardian até a Pitchfork. Agora o músico assinou um contrato com a Subpop, uma das mais importantes gravadoras de música alternativa dos EUA, que tem no catálogo gente como Mogwai, CocoRosie, Fleet Foxes e Foals. Além disso, o músico teve a honra de sair em turnê com a Yeasayer, respeitada banda de rock experimental de Nova York. 

15 de set. de 2012

Da paixão pela mesma garota ao indie pop

Nycolas Ribeiro

Nunca se sabe o que esperar dos discursos eliminatórios de Pedro Bial em um Paredão do Big Brother Brasil, exceto divagações homéricas e a finalização da fala com a chamada: vem ser (insira aqui algum adjetivo ou substantivo) aqui fora! Os niteroienses da banda Tereza dizem que foram eliminados de outra “competição”. “Tem muitas bandas com um som similar ao nosso que parte pra composições em inglês e se arriscam na gringa. Quando fundamos a banda decidimos escrever apenas em português, apesar de ser complicado para o gênero”, explica a banda, em entrevista exclusiva para a Tudo, sobre o significado e várias interpretações do título álbum de estreia 'Vem Ser Artista Aqui Fora'. 

13 de set. de 2012

Tirinhas digitais: uma conversa com Adriano Kitani

Renan Guerra

Nos anos 80, a revista Chiclete com Banana era um dos espaços mais interessantes para os quadrinhos nacionais, foi lá que personagens como Wood & Stock, Rê Bordosa, Bob Cuspe e Os Skrotinhos se consagraram.  A publicação durou até 1995, mas não pense que as HQs voltaram a ocupar apenas aqueles pequenos espaços nas páginas de jornais, pois, a partir dos anos 2000, estamos vendo um novo espaço sendo utilizado por elas: a internet. Ou vai dizer que nenhum de seus contatos de Facebook compartilhou alguma tirinha?