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4 de jun. de 2013

Os leitores de Nova Iorque pelas lentes de Ourit Ben-Haim

Renan Guerra
 
Perdemos muito e muito tempo nos caminhos até nosso destino, esperamos demais pelo transporte público e muito passamos dentro dele. Nesse espaço, a leitura se torna uma grande companheira, um espaço de fuga do comezinho cotidiano. E é isso que as lentes da fotógrafa nova-iorquina Ourit Ben-Haim captam: a viagem pelas páginas dos livros em meio a multidão do metrô de Nova Iorque. Ourit une as fotos sob o título de "Underground New York Public Library" e acredito que não há nome melhor. Encerro aqui essas míseras palavras, pois as fotos, em toda sua simplicidade, revelam muito sobre o cotidiano das grandes cidades e da mágica da literatura.

25 de mar. de 2013

A Clarice Lispector chilena?

Sofia Silva

María Luisa Bombal. Já ouviu esse nome antes? Ele se refere a uma escritora chilena conhecia por ser uma das primeiras autoras a dar voz erótica literária à mulher. Sim, erótica. Mas não se anime, o erotismo aqui é da década de 30 – 40, o que significa, antes mesmo de sexual, sua postura era rebelde e feminista. Discurso pró-feminista à parte, Bombal não se resume a isso.

18 de mar. de 2013

Meu eu literário

Pamela Faustino

Foto: Nycolas Ribeiro
Sabe quando um texto te faz pensar sobre a sua própria vida? Pois foi exatamente o que aconteceu quando li "Cadê a pessoa?", escrito pela jornalista Eliane Brum. Ela descreve o sofrimento de uma amiga após a leitura de dois textos: “A dama do cachorrinho” e o “Oblómov”. O ponto alto das obras é mostrar como todos nós temos dois eus, um oculto, no qual se encontra o melhor de nós, e um externo, no qual construímos uma fachada para viver em sociedade. Brum mostra que a identificação da amiga com o personagem Oblómov, homônimo da obra, a fez perder seu próprio eu, pois, assim como ele, ela não conseguia lidar com a ideia de ter duas facetas distintas e entrou numa crise existencial.

11 de mar. de 2013

Realidades contrapostas a sangue frio

Tati Bernardo


Os assassinos Perry e Dick

Sabe aquelas listas que a gente teima em fazer? Então, eu tenho uma dessas de livros que preciso ler antes de sair da faculdade. Estou no último ano e enfrento um problema: a lista só aumenta, enquanto o meu tempo diminui proporcionalmente. Mas tinha aquele bendito livro, o A sangue frio, do Truman Capote, que eu acreditava ser um insulto a mim mesma ainda não ter lido.

O livro por si só já causa grande curiosidade pelos seguintes fatos: Capote demorou seis anos para entregar a primeira versão, nesse período ele trabalhou apenas na apuração dos fatos, antes de concretizar uma única linha da obra. Porém, segundo o autor, toda a narrativa estava construída em sua mente, com exceção da última parte, a qual ele apelidou de "a dispensação" do caso.

19 de fev. de 2013

Destino: um pequeno infinito

Pamela Faustino

”Alguns infinitos são maiores que outros... Há dias, muitos deles, em que fico zangada com o tamanho do meu conjunto ilimitado. Eu queria mais números do que provavelmente vou ter.” (Hazel)

O best-seller A Culpa é das Estrelas, do norte-americano John Green, foi lançado em 2012. Nos Estados Unidos permaneceu por várias semanas no topo dos mais vendidos pelo “The New York Times”. Para surpresa de uns, e confirmação de outros, ele foi nomeado um dos 10 melhores livros de ficção do ano pela “Times”.

7 de fev. de 2013

Cuca Fundida, Woody Allen

Sofia Silva

Foto de capa - Cuca Fundida/Reprodução
Woody Allen não escreve só roteiro não! Entre as tantas produções do diretor, roteirista, ator, comediante, músico e escritor americano existe a trilogia literária Cuca Fundida, 1971; Sem plumas, 1975 e Que Loucura!, 1980. O trio é um compilado de contos, crônicas, ensaios e peças  publicados pela Revista New Yorker, sempre curtas e rápidas.

O que se vê nos filmes de Allen não fica muito distante do que se lê bm muito de humor irônico do diretor. O charme, neste livro, já começa pelos próprios personagens inusitados, como o barbeiro de Hitler, o Drácula, um viciado em artes que não entende shows de mímica, um estudioso de psicanálise, dois carrancudos que jogam uma partida de xadrez e ainda a Morte, que é escrita num estilo teatral satirizando o filme “O Sétimo Selo” de 1956 do diretor Ingmar Bergman.

14 de dez. de 2012

O inesquecível amor de García Marquez

Manuella Sampaio


(Foto: Manuella Sampaio)
O amor, assunto tratado à exaustão, principalmente na literatura, pode ser incrível de se ler, como também pode acabar caindo em um clichê insosso. Conheci obras que tocavam no tema das mais diferentes formas, algumas totalmente fantasiosas, outras criteriosamente reais. Mas nunca, para mim, ler o amor foi tão intenso e perturbador quanto pela mente de Gabriel García Marquez.

Gabo – seu apelido e também como gosto de chamá-lo, pois a verdade é que me sinto tão íntima do escritor colombiano quanto de seus escritos – é ícone literário mundial. Recebeu em 1982 o prêmio Nobel de Literatura pelo conjunto de sua obra que, dentre outros, fazem parte o aclamado 'Cem anos de solidão' e 'Os funerais da mamãe grande'. É um dos pais do "Realismo Mágico", estilo literário surgido no início do século XX, característico por mostrar o irreal ou o estranho como algo cotidiano e comum.

14 de set. de 2012

Amy Winehouse, filha única

Julianne Lopes


(...) Quero ir para um lugar onde eu seja forçada a atingir meus limites e talvez até a superá-los.  Cantar nas aulas sem que me mandem calar a boca (desde que sejam aulas de canto). Mas acima de tudo tenho o sonho de ser muito famosa, trabalhar no palco. É uma ambição que tive a vida inteira. Quero que as pessoas escutem minha voz e simplesmente se esqueçam dos seus problemas por cinco minutos. Quero ser lembrada como atriz, cantora, por shows com ingressos esgotados e apresentações no West End e na Broadway com casa lotada – Amy, aos doze anos, quando pediram que escrevesse alguma coisa sobre si na Escola de Teatro Sylvia Young.

13 de set. de 2012

Tirinhas digitais: uma conversa com Adriano Kitani

Renan Guerra

Nos anos 80, a revista Chiclete com Banana era um dos espaços mais interessantes para os quadrinhos nacionais, foi lá que personagens como Wood & Stock, Rê Bordosa, Bob Cuspe e Os Skrotinhos se consagraram.  A publicação durou até 1995, mas não pense que as HQs voltaram a ocupar apenas aqueles pequenos espaços nas páginas de jornais, pois, a partir dos anos 2000, estamos vendo um novo espaço sendo utilizado por elas: a internet. Ou vai dizer que nenhum de seus contatos de Facebook compartilhou alguma tirinha?

27 de ago. de 2012

'O Estrangeiro', Albert Camus

Sofia Silva

Albert Camus (Foto: Reprodução)
'O estrangeiro' de Albert Camus é um daqueles livros clássicos, de autor com prêmio Nobel de Literatura, que se torna muito fácil de gostar ou odiar. Não é longo, tem lá suas 120/130 páginas dependendo da edição - que podem, com muita facilidade, serem finalizadas em uma tarde de sábado. Contudo, não se iluda, pois não é um romance que se engole com muita facilidade. Pelo contrário, podemos nos entediar quanto ao sentir na pele à passagem do tempo, os dias e meses que se correm no livro (mas não será isso proposital?).

29 de jul. de 2012

Resenha: Sobrevivente, de Chuck Pallaniuk

Sofia Silva


Gostou do filme Clube da Luta de David Fincher?

 E já leu o livro do qual ele foi adaptado?

Se não. Tome nota da dica e já aproveita para engatar a leitura do segundo romance de Chuck Palahniuk – Sobrevivente, publicado em 1999. Mas, para surpresa de quem não aguenta mais ler “edição limitada” nas livrarias virtuais ele está sendo reeditado, esse ano, pela editora Leya. São 360 páginas escorrendo o mais puro humor negro chuckiniano disponíveis a partir de maio.

O enredo parte da mesma fórmula de Clube da Luta:

3 de jul. de 2012

Das páginas às telas

Renan Guerra, Tamara Finardi e Tati Bernardo

As adaptações de obras literárias nacionais para o cinema

“Meu livro preferido será adaptado pa-ra o cinema. Se-rá uma versão fiel da história? Qual atriz será a protagonista? Esse diretor é confiável?” Todos nos perguntamos isso, seja você um fã de Crepúsculo, de Sthepen Meyer, ou de Dom Casmurro, de Machado de Assis. Criamos laços com a obra e a adaptação para o cinema pode destruir aquele imaginário perfeito que criamos ao ler. Ao mesmo tempo, um público ainda maior conhecerá aquela história, mesmo que às vezes ela esteja um pouco (ou muito) distorcida.

18 de mai. de 2012

5 Minutos

Sofia Silva

A jaqueta era jeans.

Tinha um cheiro de fumaça tão forte impresso na costuras,
que estava rolando um alto risco de ela mesmo ser tragada na falta de cigarro.

Por baixo havia uma camiseta vagabunda sem nenhuma estampa digna de reflexão,
que tocavam as axilas molhadas de suor ainda que eu sentisse um vento frio no rosto.

2 de dez. de 2011

A validação do ser escritor


Aline Sant Ana

Iberê Teixeira revela como a história pode ser (re)criada através da escrita e do olhar

No primeiro aperto de mão, ao cumprimentar Iberê Athayde Teixeira, nome que o então advogado do prefeito de São Borja estampa por inteiro na placa branco-dourada que marca seu escritório de trabalho, não há como não sentir a incômoda seriedade de um anistiado político diante de uma proposta de entrevista – tratando-o como se fosse uma celebridade. Ele, já mostrando ser o dominador de toda a situação, me convida para entrar e sem meias palavras vai direto ao assunto, “Você trouxe as perguntas?”.

25 de nov. de 2011

Eu leio, tu lês, carlota lê

 Sofia Silva

Ao entardecer, naquele momento em que o horizonte é pintado por matizes alaranjados, chego ao apartamento de Carlota Aquino, senhora alta, loira e leitora assídua de várias obras. Na sala, a televisão seria apenas uma espectadora muda de nossa conversa animada sobre o mundo das letras e sua fome por leitura. Como de hábito, já havia devorado dois livros e meio no último mês - o terceiro exemplar seria concluído logo após minha saída.

11 de nov. de 2011

Entrevista com Pola Oloixarac

Nycolas Ribeiro

A princípio, a ideia de realizar uma entrevista com uma escritora estrangeira parecia algo bem distante da realidade de um estudante de jornalismo. Quando encontrei o perfil de Pola no Twitter (@poliamida) me deparei com o neologismo geográfico que constava no campo de “localidade”: Brasiloche, uma clara junção de Brasil e Bariloche.

A possibilidade da argentina ser acessível e ter um certo carinho pelo nosso país tornou tudo mais viável. Grande destaque da Flip 2011, Pola Oloixarac chamou a atenção da mídia nacional por seu carisma, beleza exótica, vasto conhecimento cultural e, principalmente, por sua obra “As Teorias Selvagens” (Editora Benvirá, 2011), tão aclamada pela crítica internacional. 

4 de nov. de 2011

Modificado e independente

Rafael Junckes

Os novos escritores e a autonomia na publicação.

“Sou quem sempre chega mais tarde”, o filósofo disse no poema e assim o fez na entrevista. Paulo Eduardo da Rocha escreveu a frase que, preciso confessar, já tomei como minha também. Quando chegamos ao refúgio do artista, um sobrado de uma rua tranquila de São Borja, fomos recebidos pela simpática mãe do autor de “Poeticamente Modificado”.

Juremir Machado e as Vozes da Legalidade

Manuella Sampaio


Pura história. Dos pequenos acontecimentos até os mais célebres, da grande história até as desconhecidas. Homens que evitaram bombardeios e tragédias, heróis anônimos que vêm a público através de um livro de resgate histórico, prendendo o leitor do início ao fim.

De Itagiba a Leonel Brizola, assim começa a história que marcou os rumos da política no Brasil e despertou instintos de luta pela democracia em tantos gaúchos. Juremir é jornalista, escritor, sociólogo, historiador, tradutor e professor da Faculdade de Comunicação da PUCRS. Sua última obra contempla um dos maiores movimentos populares do Brasil, a campanha da Legalidade. O livro conta detalhes dessa história que já sabemos o desfecho, mas se torna inédita para o leitor.