O Brasil é um caldeirão musical e curiosamente grande parte de seus ritmos não é reconhecida e sequer aproveitado dentro do próprio país. Artistas mesclam todas essas referências nacionais com uma variada gama de sons, sem medo e sem vergonha de utilizar ritmos considerados mais periféricos, como o funk e o brega, criando uma música tão brasileira e ao mesmo tempo tão universal que é aplaudida de pé no exterior.
Céu
Vencedora do Grammy de melhor álbum de Word Music em 2007, com três discos lançados e mais de 400 mil cópias vendidas. O seu terceiro álbum, “Caravana Sereia Bloom”, mescla sons como rock, afrobeat, reggae e samba numa estética lo-fi que lembra um passeio pelos filmes do Karim Aïnouz, como “Viajo por que preciso, volto por que te amo” (2009). Céu, mais brasileira/mundial que nunca, destitui cada vez mais as nomenclaturas e compar-timentos da música nacional, criando uma melodia tão própria que, segundo ela, é quase como um “Road Movie”. Quem ainda não a conhece deve ouvi-la, afinal, “se eu fosse você, já tinha chegado emKarina Buhr baixe aqui
Para o resto do país parecia que a cena musical recifense se alimentava continuamente do legado de Chico Science e do Manifesto Manguebeat, mas nos últimos dois anos as novidades voltaram a florescer e lá brotou uma cantora difícil de ser classificada: Karina Buhr, que consegue transfor-mar ritmos dissonantes como punke forró em canções tão ternas a ponto de virarem trilha sonora de novela. Canta sobre amores e dores errantes, cadáveres e outras pirações poéticas em seu segundo álbum, o vibrante “Longe de onde”. A própria cantora se define para a Tudo & Etc como dona de “um som romântico e defeituoso”
Mahmundi baixe aqui
A carioca disponibilizou para download em março um delicioso EP chamado “Efeito das Cores”. Mesclando sonoridades típicas dos 80’, bem ao estilo Marina Lima, com a tendência indie do chillwave de bandas como Toro y Moi e Washed Out sob camadas eletrônicas, Mahmundi entoa canções simples, que versam sobre amores, felicidades e banalidades, tudo aquilo que realmente importa.Num país onde as mulheres eram as grandes intérpretes e os cantores masculinos eram contados nos dedos, cada vez mais ouvimos homens libertando suas dores e mágoas em forma de canções, às vezes diretas outras mais metafóricas, mas ainda assim entregues a canção (é, Chico Buarque fez uma bela escola). Romulo Fróes, Wado, Siba, Thiago Pethit, Marcelo Jeneci, Marcelo Camelo, Criolo, Pélico, Domenico Lancellotti, Filipe Catto, Otto, Lucas Santtana, Kassin e outros que fazem música de qualidade, cada um com suas especificidades. Porém, separamos aqui dois mancebos que merecem atenção: Cícero e Silva, ambos produziram suas canções bem ao estilo “do it yourself” e esse clima caseiro só gerou mais intimidade e poesia.
Cícero baixe aqui
Simplesmente um garoto carioca tranca-do em seu apartamento, gravando can-ções de amor&dor madrugada a dentro. Assim surgiu “Canções de apartamento”, álbum singelo que mescla referências de bossa nova, tropicália e indie rock para falar dos desencontros da juventu-de. Com uma verve à la Los Hermanos, Cícero já conquistou um público grande e o respeito de seu ídolo Marcelo Came-lo, para quem abre os shows.
Trabalha o minimalismo, mesclando camadas de som, brincando com instrumentos, criando um universo singelo para suas canções, onde fala de amores, amizades e banalidades, tudo de forma encantadora. Com um EP de cinco canções, ele já foi convidado para oline updo Sónar Festival que acontece em São Paulo e que conta com as participações de Björk, James Blake³ (revelação de 2011, que curiosamente divide o mesmo produtor de Silva) e Mogwai. Silva promete mais um EP e um disco completinho para este ano e merece ser ouvido.

