31 de jul. de 2012

A voz e a vez de Tulipa Ruiz

Renan Guerra

Depois de lançar na rede doses homeopáticas de seu novo álbum “Tudo Tanto”, Tulipa Ruiz disponibilizou o CD completo para download nessa segunda (30) no seu site oficial. E a cantora paulista não desapontou em seu segundo álbum, depois do tão elogiado “Efêmera”, Tulipa se apresenta livre e intensa no novo trabalho. Agora ela se mostra MPB, pop, rock, psicodélica, forte e mais pop florestal ainda (esta última tag criada pela própria cantora, para definir a amálgama do seu som, criada a partir de suas vivências entre São Paulo e Minas Gerais).


Esse segundo disco vem pra firmar Tulipa como um dos nomes mais interessantes da geralmente repetitiva leva de cantoras da MPB. Com uma mistura de ritmos e sonoridades, passeando desde a guitarra pop do Lulu Santos até a orquestração dançante da canção “Bom”, “Tudo Tanto” fica ao lado da produção de Céu e Karina Buhr, mostrando que as mulheres dessa nova safra podem fazer algo diferente e nem só repetir as fórmulas galgadas por Marisa Monte.

Sempre relacionada à Gal Costa, numa comparação que era um tanto exagerada para uma cantora novata, Tulipa deixa claro nesse novo trabalho que tem voz para seguir os passos de Gal e quem sabe ter a mesma importância para a música brasileira que a cantora baiana. Aliás, em “Tudo Tanto” podemos notar uma proximidade com a carreira de Gal Costa, que foi disco a disco compreendendo a força de sua voz e mostrando o seu poder, que gerou a clássica afirmação de Elis Regina, “neste país, só há duas que cantam: Gal e eu.” Ouso dizer que “Víbora” tem para Tulipa a mesma força representativa que “Meu nome é Gal” teve para a musa do desbunde. E é bom ouvir Tulipa, com ares de Gal Costa, sim. Mas nunca tentando ser Gal, sendo sempre tão original quanto seu pop florestal a possibilita.

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A poesia da cantora continua afiada, com rimas complexas e cheias de sagacidade - influência clara do Tropicalismo de Caetano Veloso, do qual Tulipa já afirmou ser fã. Porém, Tulipa não se torna hermética ou complicada, mas dá uma roupagem pop a todo esse lirismo, claro que com a colaboração de seu pai e de seu irmão, Luis Chagas e Gustavo Ruiz, respectivamente. Somado a todo encanto de Tulipa, incluem-se ainda as parcerias acertadas que surgem nesse álbum, como o canto e a guitarra de Lulu Santos na perfeição pop “Dois Cafés”; de Criolo na letra de “Víbora”; de Ilhan Ersahin, do grupo de trip-hop Wax Poetic, em “Like This” e de Tomás Cunha Ferreira, do grupo português Os Quais, em “Desinibida”. Com isso, Tulipa nos entrega um álbum pop na medida, pronto pra ir das trilhas de novela até o repeat eterno do seu HD.


Sem medo de usar sua voz de formas antes apenas ensaiadas, Tulipa garante performances incríveis, como em “Like This” e em “Víbora”, nas quais se entrega de corpo e alma, sabendo do potencial de sua voz.  Voz esta que é versada na última canção do álbum, “Cada voz”, metáfora da atitude de Tulipa nesse disco: libertar a própria voz e nos mostrar a intensidade desse canto que tem forças para dominar o país.

Para ouvir 'Tudo Tanto' basta um clique: baixe!

Assista o clipe da faixa 'É':