14 de set. de 2012

Amy Winehouse, filha única

Julianne Lopes


(...) Quero ir para um lugar onde eu seja forçada a atingir meus limites e talvez até a superá-los.  Cantar nas aulas sem que me mandem calar a boca (desde que sejam aulas de canto). Mas acima de tudo tenho o sonho de ser muito famosa, trabalhar no palco. É uma ambição que tive a vida inteira. Quero que as pessoas escutem minha voz e simplesmente se esqueçam dos seus problemas por cinco minutos. Quero ser lembrada como atriz, cantora, por shows com ingressos esgotados e apresentações no West End e na Broadway com casa lotada – Amy, aos doze anos, quando pediram que escrevesse alguma coisa sobre si na Escola de Teatro Sylvia Young.

Um ano após o falecimento de Amy Winehouse, Mitch Winehouse, pai da cantora e autor do livro 'Amy, minha filha' contou, em 21 capítulos, detalhadamente como era o lado pessoal e profissional de sua filha – que, se estivesse viva, completaria hoje seus 29 anos –, desde seus primeiros passos cheios de vida até sua decadente morte. A biografia recentemente lançada no Brasil mostra, através do olhar de Mitch, como foi determinante a presença dele próprio na vida da cantora. Ele se descreve como pai, amigo, conselheiro e confidente de Amy e diz que, embora sua filha não seguisse todos os seus conselhos, ela procurava escutá-lo até o fim.

Em 348 páginas, o pai relata, entre outras coisas, como foi o lançamento do primeiro álbum que Amy gravou com uma banda de Jazz quando ela tinha apenas 16 anos, a maneira como ela encantava a todos com sua voz, o fato de sempre chegar atrasada ou até mesmo de faltar aos compromissos e a decaída de sua vida profissional após o contato com as drogas.

Segundo Mitch Winehouse, a filha, desde pequena, tinha gosto pela música e vontade de ser famosa, mas não perdia a vergonha de subir ao palco e cantar para multidões, encontrando uma solução em beber antes das apresentações. Quando questionado se deveria ou não interná-la para tratar o alcoolismo, o pai dizia não achar necessário, pois a seu ver ela havia tomado apenas um copo a mais e disse “acho que ela está bem”; frase que mais tarde se tornaria um verso da música Rehab.




Diante de um namoro conturbado, que logo se tornaria um casamento que arruinaria sua vida quase completamente, Mitch teve que lidar com as constantes internações de sua filha ocasionadas pelo abuso das drogas mais pesadas como a heroína e o crack, apresentadas à cantora pelo ex-namorado Blake, com as notícias sensacionalistas que os jornais publicavam, com o grande número de paparazzi querendo descobrir alguma coisa sobre a vida da cantora.

Amy só superou Blake depois que uma nova paixão apareceu em sua vida, a qual foi um dos principais motivos que fizeram com que ela largasse as drogas de vez, apesar de substituir a dependência química pela alcoólica. Cantar para uma plateia estava se tornando cada vez mais difícil. O consumo excessivo de álcool impedia que ela se mantivesse em pé e, além disso, as músicas de “Back To Black” era um fardo para a cantora, pois remetia a um passado que ela definitivamente queria esquecer.

Embora já saibamos, mesmo que superficialmente, o fim dessa história, Amy, minha filha, é uma biografia que te envolve como um romance, dando vontade de terminá-lo em dois dias no máximo, pois cada capítulo te deixa ansioso para descobrir se Amy conseguiu superar mais um obstáculo ou se aquele é seu fim. Mitch Winehouse não economiza palavras para falar da decadência e do fim trágico que levou a morte de sua filha, contudo, esconde algumas personagens importantes no desenrolar da história, como Kelly Osbourne – grande amiga de Amy, que é citada apenas nos dias após a morte da cantora – e, principalmente, de sua mãe. O grande questionamento sobre a versão de Mitch quanto à história da cantora é onde estava Janis Winehouse enquanto Amy tinha problemas tão sérios com drogas, afinal, é difícil acreditar que sua mãe não se mobilizaria vendo-a à beira da morte.



A obra retrata claramente todos os problemas e as dificuldades que alcoólatras e dependentes químicos sofrem para superar seus vícios e mostra também como as suas famílias acabam sendo afetadas. Os relatos de Mitch demonstram o amor incondicional de um pai que abria mão de tudo para ver sua filha completamente feliz e realizada. Mostra sua felicidade quando percebia que Amy tentava manter-se sóbria e a decepção noutro diante da frustração e da sensação de ter voltado à estaca zero quando a encontrava desacordada ou internada novamente.

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Para os fãs da cantora, Amy, minha filha é mais uma recordação que merece ser guardada. E mesmo quem não goste de suas músicas ou não sabe muito sobre a vida da cantora, é impossível ler o livro e não se emocionar, não se sensibilizar e não se envolver completamente com a história. Em cada página e em cada linha escrita, o livro nos faz lembrar como sua voz era linda, como era maravilhoso vê-la ao vivo fazendo o que ela sabia de melhor e o quão doloroso foi quando ela partiu.

Para quem aprecia uma boa música não há a menor dúvida de que Amy foi uma perda irreparável, que ela deixou saudades eternas e que cada vez que a ouvirmos cantando In My Bed, Back to Black, Valerie, You Know I’m No Good, ou qualquer música eternizada em sua incomparável voz, sentiremos suas dores e saberemos que ela foi única.



Título original: Amy, my daughter
Autor: Mitch Winehouse
Formato: 16 x 23
Editora: Record
Número de páginas: 348
Gênero: Biografia
Tradução: Waldéa Barcellos





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