13 de set. de 2012

Tirinhas digitais: uma conversa com Adriano Kitani

Renan Guerra

Nos anos 80, a revista Chiclete com Banana era um dos espaços mais interessantes para os quadrinhos nacionais, foi lá que personagens como Wood & Stock, Rê Bordosa, Bob Cuspe e Os Skrotinhos se consagraram.  A publicação durou até 1995, mas não pense que as HQs voltaram a ocupar apenas aqueles pequenos espaços nas páginas de jornais, pois, a partir dos anos 2000, estamos vendo um novo espaço sendo utilizado por elas: a internet. Ou vai dizer que nenhum de seus contatos de Facebook compartilhou alguma tirinha?

Redes sociais como blogs, e entre outros diversos sites são utilizados para a leitura e divulgação de HQs, como é o caso do tumblr Pirikart, criado por Adriano Kitani, de São Paulo, onde são publicadas tirinhas clássicas e as tiras Sudoku – inventadas por ele.  Formado em publicidade - curso que “acabou contribuindo mais para eu desenvolver ideias e narrativas do que o desenho em si”, conforme conta - ele trabalha com Design em uma editora, pois criar tiras na rede ainda não é um negócio muito rentável.

Adriano estava procurando um espaço para publicar seus trabalhos, sua namorada lhe apresentou o Tumblr e assim surgiu o Pirikart. “Eu gostei pelo fato dele, além de ser uma ferramenta pra criação de blogs, funciona como uma rede social, é bacana por eu poder acompanhar o trabalho de outras pessoas que publicam”, afirma. Sobre o curioso nome Pirikart, Adriano diz que surgiu através de um apelido de escola, “eu nunca fui muito bom pra criar nomes pras coisas então coloquei no blog o primeiro que me veio à cabeça”, completa.

Tirinha do Tumblr de Adriano Kitani

Inspirado tanto pelo trabalho de renomados cartunistas como Laerte, Angeli e André Dahmer quanto por webcomics como PBFcomics, Nedroid e XKCD, Adriano cria suas tiras sobre os mais variados assuntos, sempre com um humor sagaz. As “ideias podem vir tanto de algo bizarro que eu tenha visto na Internet quanto de algum livro que eu li”, ele explica. Cheio de referências à cultura pop, Adriano criou as suas, já citadas, tiras Sudoku - isto é, que contam diferentes histórias dependendo da ordem que se lê - e revelou à Tudo que a ideia surgiu enquanto ele fazia uma pesquisa para seu Trabalho de Conclusão de Curso (o temido TCC) e envolto a outras formas de narrativa, acabou chegando ao formato.

O divertido das tiras Sudoku é que podemos escolher o caminho das personagens, a história que mais nos agrada.  Mas a interação não é um aspecto apenas das tirinhas, pois Adriano também vê seus trabalhos sendo compartilhados e comentados no Facebook, “acho que meu trabalho acaba sendo mais visto lá do que no próprio Tumblr”, fala. Fazer quadrinhos na rede, apesar de ainda não dar muito dinheiro, pode ser uma alternativa realmente interessante para a produção, já que atinge um número muito maior do que uma clássica página de jornal ou uma publicação especializada em HQs. O Pirikart é apenas um dos exemplos que podemos encontrar na internet, onde a visibilidade desse tipo de literatura só aumenta. Crítica, arte e diversão têm um novo espaço nas mídias sociais e esperamos que continue crescendo, pois, convenhamos, é ótimo.