22 de set. de 2012

O que esperar do The Voice Brasil?

Luciano Costa*

Acorrentados, No Limite, Fama, Big Brother Brasil, Hipertensão, Dança dos Famosos, Dança no Gelo, Circo do Faustão, Jogo Duro, Soletrando, Lar Doce Lar, Lata Velha, The Ultimate Fighter, e agora... The Voice. A Globo ainda tem fôlego para um novo reality? Boninho aposta que sim.
Estreia neste domingo The Voice Brasil, o novo reality show musical da Globo que promete tirar do bueiro a programação dominical da teve brasileira. Já nasceu overrated? Sim. Já virou piada? É claro. Mas reality é reality, e sempre dá audiência.

Criado pelo holandês John de Mol (Endemol), The Voice é um reality musical de sucesso na Holanda e principalmente nos Estados Unidos e Reino Unido. A primeira temporada americana foi sucesso de crítica e audiência e rapidamente o hype chegou por aqui, o vencedor da primeira edição recebeu U$ 100 mil e um contrato com a Universal Records.

Com uma dinâmica parecida com X Factor e American Idol, os participantes do The Voice são acompanhados por quatro treinadores artísticos e vocais, que também atuam como jurados. O programa é dividido em três etapas, audições (onde os participantes são escolhidos pelos jurados apenas pela voz, formando equipes treinadas por cada um deles), batalhas (formam-se duplas e apresentações, onde o técnico decide quem avança de etapa) e shows ao vivo, é quando o público começa a participar e selecionar o campeão, que irá ganhar R$ 500 mil e um álbum gravado, no Brasil, pela Universal Music.

Não pense que veremos participantes aleatórios ou inexperientes. Foram pré-selecionados pela produção do programa cerca de 100 candidatos das regiões sul, sudeste, nordeste e centro-oeste. Segundo a direção do reality, todos eles são profissionais que já estão no mercado, porém ainda não conseguiram destaque no cenário musical do país. O que isso significa? Que não veremos nenhum wannabe cantor nos constrangendo nas tardes de domingo!

Os Jurados

Claudia Leitte, a nossa Christina Aguilera:
Torcendo para que no programa ela foque
na música e não no self-made freak show. 

Carlinhos Brown, o nosso Cee Lo Green:
Torcendo para que não dê nenhuma zica

Daniel, o nosso Blake Shelton:
Torcendo para que o programa não se torne 
uma fábrica de sertanejos universitários. 

Lulu Santos, o nosso Adam Levine:
Moves like Lulu.

Quando as primeiras notícias sobre o The Voice Brasil começaram a circular, especulou-se que o apresentador seria Pedro Andrade, jornalista, modelo e apresentador do Manhattan Connection, programa da Globo News. Outra cotada foi Angélica, que teria sido vetada pela própria Endemol por ela já ter apresentado o Fama (Operación Triunfo), programa concorrente ao The Voice.

Porém, o escolhido foi Tiago Leifert, apresentador e editor-chefe do Globo Esporte em São Paulo. Se a escolha foi certa só o tempo dirá, mas não se pode negar o enorme apelo popular dele. Principal responsável pela reestruturação do jornalismo esportivo da Globo, já ganhou diversos prêmios, entre eles o de “Revelação” (2009) pela Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo e “Melhor apresentador de Televisão” (2010) pela Associação Paulista de Críticos de Arte. Ao que tudo parece, levará o jeito despojado e bem-humorado para um programa bem mais condizente com seu perfil.

 Tiago Leifert conduzirá o programa com a ajuda de Daniele Suzuki, responsável pela 
cobertura de bastidores e boletins diários sobre o andamento do programa.

Não se engane em achar que os participantes dos reality shows musicais são fadados ao flop, principalmente se você acompanha Ídolos, na Record. Desde o SBT, o programa virou chacota e transformou a atração em um freak show de calouros, onde a exploração de participantes beira à ridicularização pública.

Se hoje conhecemos Kelly Clarkson, Nicola Roberts (Girls Aloud), Adam Lambert, Susan Boyle, Leona Lewis, Jennifer Hudson e Katharine McPhee, sem falar dos brasileiros Mariana Rios, Roberta Sá, Thiaguinho, Ivo Pessoa, Marina Elali, Hugo e Tiago, Rouge e Br’oz (e por que não?), devemos em grande parte os reality shows musicais.

Esse formato tem ganhado popularidade pois combina o apelo popular dos jurados, que na versão brasileira (você gostando ou não), foram escolhidos para dar conta da diversidade musical do Brasil, e principalmente o nível dos candidatos, que farão grandes apresentações mostrando ao público um talento, e não uma postura, comportamento em grupo ou força física. Não há dúvidas que The Voice fará sucesso no Brasil, o que vamos observar é a recepção dos brasileiros aos candidatos, se o programa fabricará cantores ou subcelebridades.

*Luciano Costa é jornalista e pesquisador em história da mídia, televisão e entretenimento.