24 de set. de 2012

Ele não é de Barcelona

Nycolas Ribeiro

Emanuel Lundgren
“Eu sou de Barcelona”, dizia constantemente o Manuel, personagem evidentemente espanhol da sitcom Fawlty Towers. Ele era garçom do hotel que leva o nome da série britânica da década de 70 e divertia o público com seu bigode avantajado e um inglês confuso. No verão de 2005, alguns amigos do sueco Emanuel Lundgren faziam piadas com o nome do amigo e o do personagem de Fawlty Towers. Atualmente, com um bigode parecido, exceto pela coloração ruiva, Emanuel lidera o coletivo I’m From Barcelona, batizado pelo bordão do garçom Manuel.

Com 29 integrantes (sim, 29!), a banda faz um indie pop tão gostoso quanto a sensação de deitar na grama verde durante um domingo ensolarado. Pode parecer loucura (e até mesmo estressante) administrar tanta gente em um só grupo musical, mas o fato de todos serem amigos de longa data que decidiram fundar a banda para permanecerem juntos é o grande segredo para tamanha harmonia. A revista Time elegeu o I’m From Barcelona como uma das melhores apresentações musicais ao vivo do mundo! Apresentação essa que os paulistanos terão o prazer de conhecer nessa sexta (28) no Cine Metrópole. O grupo sueco se apresentará junto com a neozelandesa LadyHawke na festa de aniversário do Mr. Jack, o criador do whisky Jack Daniels.

Em entrevista por e-mail, Emanuel Lundgren, líder do I’m From Barcelona, fala exclusivamente para a Tudo sobre as expectativas para o primeiro show da banda no Brasil e como funciona o processo de criação das músicas desse grupo que não é de Barcelona e nos contagia com melodias primaveris e letras apaixonantes.

TUDO & ETC: Todos os 29 membros da banda virão para o show no Brasil? Como é viajar com tantas pessoas para fazer um show em um país distante? 

Emanuel:
Quando fazemos uma turnê nós funcionamos quase como uma equipe de futebol americano e nem todo mundo pode ir para todos os jogos. Normalmente vivemos em um ônibus de turnê, onde a quantidade máxima de camas normalmente é de 16, então esse se tornou um bom número de pessoas para a gente viajar em nossas turnês. É muito planejamento para se fazer apenas um show, mas acredito que valerá a pena. Eu tive que pegar o passaporte de todo mundo para conseguir os vistos e o melhor lugar que consegui para fazer isso foi num casamento em que todos nós estávamos em um final de semana. Você precisa fazer o que está no seu alcance.

Vocês só cantam em inglês. Por que vocês optaram por cantar nessa língua? Você acredita que se o I’m From Barcelona cantasse em sueco talvez vocês não tivessem o público que têm atualmente? 

Mesmo antes de saber falar inglês, quando eu era criança, eu costumava escrever músicas em um inglês inventado. Não sei o porquê, mas acho que eu ouvia muita música britânica e americana no rádio, então sempre me soou natural que música pop é em inglês. Não é uma escolha planejada, mas estou feliz pelo I’m From Barcelona ser em inglês. Existem aproximadamente 9 milhões de pessoas que falam sueco, então isso iria excluir muita gente. 

O grupo I'm From Barcelona, na verdade, é de Jönköping, Suécia. 

Além de 29 pessoas, o que o I’m From Barcelona tem de especial que outras bandas não têm?

Não sei, deixe-me pensar… Talvez por a gente não ter começado a banda para fazer sucesso ou ter uma carreira. Nós somos uma banda porque a gente curte estar juntos. É bem tranquilo.

Ouvir as suas músicas é como “dar play em sentimentos felizes” e isso é ótimo, elas são motivadoras para ter um bom humor em um dia ruim. Quais as referências que vocês usam para chegar nessa sonoridade?

A sensação de se estar apaixonado foi o que deu início a tudo. Entretanto, às vezes escrever uma música com uma vibe positiva pode ser um tipo de autoterapia se você tiver um dia ruim.

As suas letras sãos simples e cheias de sentimentos. Elas são inspiradas por episódios de suas vidas ou por alguma outra referência? Enfim, como é o processo de composição das músicas da banda?
Eu escrevo as letras e elas podem ser inspiradas por diversas coisas. Frequentes coisas que eu sinto merecem uma música. Se você observar as letras, não têm muito aquela coisa de “um menino conhece uma menina”, eu tento achar outras coisas, e às vezes usar essas coisas para trabalhar como um símbolo para outra coisa.

Quais são as expectativas para o show no Brasil?

Esperançosamente, algo que possamos contar aos nossos futuros netos. Eu tenho medo de voar, então eu apenas espero que vá e volte são e salvo.

Existe algum artista brasileiro que você conhece e gosta?

Eu gosto do Sepultura. Eu costumava ouvir muito o álbum “Roots”.

Se você pudesse dizer qual é o principal propósito das músicas do I’m From Barcelona, qual seria?

Fazer com que todos no mundo comecem uma banda.