25 de dez. de 2012

Chega de vampiros brilhantes

Phillipp Gripp
(Foto: Reprodução)
Sim, eu serei julgado por milhares de mentes (pseudo)cults que endeusam grandes diretores, como Hitchcock, Godard, Woody Allen, Fernando Meirelles, Sérgio Bianchi, Walter Salles, Lars Von Trier, Gus Van Sant. Como eu sei? Pois eu faria o mesmo (já que também os acho, além de outros tantos mestres do cinema, extraordinários) caso alguém tentasse defender o último filme da série Twilight antes de eu tê-lo assistido.

Mas, como diria o jurista e escritor Miguel Reale, antigo integrante da Academia Brasileira de Letras, “No Universo da Cultura o Centro está em toda a parte”, e por isso eu fui até o cinema (ok, eu também estava sofrendo uma pequena pressão por parte de minha mãe, uma daquelas tietes que eu citei anteriormente), já que acredito que todo filme merece ser visto antes de criticado com propriedade, por mais que ele faça parte de uma série já desmerecida por todos os deslizes de roteiro, fotografia, efeitos (tá, é melhor eu parar por aqui e voltar à película em questão). É isso mesmo: eu assisti “Amanhecer (Parte 2)”. Mas confesso que entrei no cinema com o evidente preconceito de quem leu os livros e não gostou; e de quem assistiu aos filmes, mas só não fuzilou a tiete que gritava ao lado porque tinha um “tanquinho” interessante para entreter na tela.



“Quem sabe eu tenha sorte dessa vez e ninguém grite ao meu lado, pelo menos”, eu pensava enquanto minha mãe estava, no mínimo, animada para entrar na sala e esperar o longa começar. Mas vejam só, meus caros: o filme é bom! Calma, ele não se compara a nada dirigido pelos cineastas citados no primeiro parágrafo, mas é realmente bom.

Além de merecerem ser vistos, cada filme precisa ser analisado de forma diferente, levando em consideração as propostas precedentes geradas em torno do que se espera dele e nenhuma adaptação para o cinema da saga conseguiu suprir as necessidades audiovisuais dos fãs de uma série clichê romântica e pegajosa.

O diretor Bill Condon conversando com os protagonistas (Foto: Reprodução) 

Os que antecederam tinham uma fotografia amadora, pareciam economizar na maquiagem e dava dor nos olhos e nos ouvidos ao atentarmos para aqueles efeitos computadorizados, isso sem falar na medíocre produção e atuação (era preciso estômago digno de quem resiste sem enjoar a filmes de Tarantino, para não querer esfaquear o rosto sem expressão da personagem Bella, interpretada por Kristen Stewart). A trilha sonora, contudo, sempre teve o desempenho de salvar os filmes, que, pela sua falta, teriam sucumbido a uma inferioridade indescritível.

Contudo, a primeira parte da divisão do último livro já mostrava que a troca de direção, colocando Bill Condon no lugar de David Slade – diretor de Eclipse – havia sido adequada. A fotografia e maquiagem estavam impressionantes, se relacionadas aos longas anteriores, mas não foram suficientes para superar o tédio causado pelo roteiro.

O casal Bella e Edward em sua cena de sexo(Foto: Divulgação) 
Amanhecer (Parte 2) é um milagre, diria eu. Condon consegue prender a atenção do mais improvável espectador, com a batalha que antecede o final e que não é descrita no livro, sendo fiel ao roteiro original, entretanto. Além de nos proporcionar belos efeitos visuais pelo olhar de Bella, agora transformada em vampira, essa mudança parece até mesmo justificar as feições e trejeitos insossos da personagem, que ficou sexy e elegante. Aliás, os takes da cena de sexo entre ela e Edward (Robert Pattinson) é de dar inveja a muitos por aí.

No entanto, apesar de ser o melhor filme de toda a saga, o mínimo de fidelidade ao original que deveria existir foi cumprida, o que não deixa espaço para nova visão em relação ao roteiro do meloso best-seller: o final é feliz e não havia como ser mais previsível, fazendo todas aquelas tietes aplaudirem eufóricas e deixarem algumas lágrimas caírem ao som de “A Thousand Years (Part 2)” de Christina Perri e Steve Kaze. A elas o orgulho de ver a série ser encerrada de uma forma tão boa quanto ninguém imaginava ser possível. A nós da Tudo, que já estamos ansiosos pela comédia “Los Amantes Pasajeros”, próxima película de Almodóvar com estreia prevista para setembro no Brasil, a felicidade de uma vida sem ouvir falar de lobos, ou vampiros, ao menos por enquanto.