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| Sharon Van Etten |
“Tell me how not to stop all these tears and fears
So nothing else will drop,
So all this pain will stop.”
"Ask", de Sharon Van Etten
Quando fiz a lista dos melhores discos de 2012 para a Tudo e Etc, escrevi o seguinte sobre o álbum “Tramp”, da Sharon Van Etten: “um álbum de canções para agarrarmos com as unhas e sentirmos elas nos abraçando e dizendo ‘é difícil essa história de viver, mas vamos lá’ [...] Sharon faz canções com força para sustentar o peso do mundo e nos embalar.” Curioso é que essa sensação de canções que sustentam o mundo tem me voltado constantemente quando escuto determinados artistas, acompanhados de uma sensação de que estes artistas são maduros o suficiente para me mostrar os meandros de se viver, assim os chamo de “artistas da vida adulta”.
São eles gente como a própria Sharon, o Wilco, o Beirut, o Yo La Tengo, a PJ Harvey, a Cat Power e por aí vai. Essa lista que trago aqui nem incluiu os artistas nacionais e, como ficou claro, não segue qualquer linha estética ou coisa e tal, segue apenas uma sensação que tanto me acompanha em cada acorde: o de que estas canções é que me mostram o mundo como ele é, sem exageros nem tanta fúria, mas com uma melancolia sincera, um amargo na boca, que acompanha muito bem qualquer dia cinza ou sem grandes esperanças.
Não que considere a vida adulta triste, mas talvez um tanto quanto menos festiva e, claramente, anos-luz da ebulição da infância e da adolescência, tão bem captadas na força fulgurante do Arcade Fire. Essa sensação “adulta” que as músicas me trazem remetem a certa “dor de amor” que sentem por todos os momentos da vida e que vem acompanhada de tantos outros problemas, que se torna tudo tão pesado, que é preciso a beleza da música e aí surgem obras lindas que captam tudo isso e desde muito tempo, como nos quase gritos de Patti Smith ou na intensidade da voz de Leonard Cohen.
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| The National |
Talvez a minha visão da vida adulta seja um pouco acinzentada, até por que ainda estou nos caminhos para tanto: moro longe dos pais há três anos, porém ainda sou sustentado por eles; ainda vejo o mundo com o olhar de quem pouco viu de todas as nossas mazelas e delas pouquíssimo sofreu. Meu olhar ainda se assemelha ao de quem viu tudo pela tela da TV ou pelas lentes do cinema e que compreende os amores como o maior júbilo e o maior sofrimento da humanidade, talvez por isso estes artistas me toquem tão profundamente.
Há, de forma inegável, uma beleza, um ar agridoce em álbuns como os dois que já citei e outros, como “Yankee Hotel Foxtrot”, do Wilco ou “Stories from de city, stories from the sea”, da PJ Harvey. Há esse olhar de que tudo é um tanto quanto triste, porém não se deve deixar de gritar, cantarolar e colocar as guitarras no volume mais alto possível. A vida deve ser, assim, como nos versos raivosos de Patti Smith, “Jesus died for somebody's sins butnot mine [...] People say "beware!" / But i don't care / The words are just / Rules and regulations to me”.


