11 de nov. de 2011

Entrevista com Pola Oloixarac

Nycolas Ribeiro

A princípio, a ideia de realizar uma entrevista com uma escritora estrangeira parecia algo bem distante da realidade de um estudante de jornalismo. Quando encontrei o perfil de Pola no Twitter (@poliamida) me deparei com o neologismo geográfico que constava no campo de “localidade”: Brasiloche, uma clara junção de Brasil e Bariloche.

A possibilidade da argentina ser acessível e ter um certo carinho pelo nosso país tornou tudo mais viável. Grande destaque da Flip 2011, Pola Oloixarac chamou a atenção da mídia nacional por seu carisma, beleza exótica, vasto conhecimento cultural e, principalmente, por sua obra “As Teorias Selvagens” (Editora Benvirá, 2011), tão aclamada pela crítica internacional. 

Abordando temas políticos e filosóficos em um cenário geek, o livro se destaca dos romances convencionais na literatura argentina, contendo uma narrativa satírica e de complexa leitura. Em entrevista por e-mail, a argentina fala de suas influências e faz mistério sobre projetos futuros.

TUDO E ETC:  Quais são as suas influências literárias que acabaram refletindo em “As Teorias Selvagens”? O livro também foi escrito baseado em experiências próprias?

POLA: Os livros que li na época: “Fogo Pálido” e “Lolita” de Vladimir Nabokov, e tudo que eu encontrava sobre a luta armada na Argentina. A partir de 2001, houve um boom editorial da literatura de sobrevivente, como best-seller de aventura misturado com temas do Holocausto do Estado Alemão. Lia muitos blogs e coisas que encontrava na internet. A experiência é sempre um híbrido de leituras e sensações.

T&E: Sua obra possui um aspecto político como base de desenvolvimento, de onde surgiu essa ideia de abordar problemas políticos passados em um cenário tecnológico com hackers e pornografia digital?

POLA: Eu estava interessada em como se dá a subversão política na contemporaneidade. O raqueamento ao Google Earth tem a ver com isto: uma meta global e essas novas linguagens simbólicas.

T&E: O livro chamou bastante a atenção da crítica, que se surpreendeu com sua escrita forte, considerada por alguns como “máscula”, contrastando com sua feminilidade (o fato de se interessar por moda e ser uma mulher atraente). Você acredita que essa surpresa é uma posição machista e preconceituosa ainda presente no universo da literatura?


POLA: A literatura é, infelizmente, um meio muito machista. Ser parte da cultura não faz as pessoas menos Neanderthais... às vezes é o oposto!

T&E: Atualmente é comum (até demais) trazer obras literárias para o cinema. Caso algum dia lhe seja proposto adaptar “As Teorias Selvagens” em filme, você aceitaria?

POLA: É claro que eu gostaria de explorar essa possibilidade, você pode fazer coisas divertidas na linguagem audiovisual. Claro que também se podem ter coisas de má qualidade... de todo modo, se ficar ruim sempre se pode culpar o cineasta. ;)

T&E: Existe algum autor ou obra brasileira que tenha te chamado mais atenção a ponto de se tornar grande admiradora?

POLA: Bernardo Carvalho. Eu acho que é um mestre contemporâneo.

T&E: Quais são seus futuros projetos na literatura? Seguem temas com semelhanças ao “As Teorias Selvagens”?

POLA: Algo assim... Mas são super secretos! :D