Nycolas Ribeiro
A princípio, a ideia de realizar uma entrevista com uma
escritora estrangeira parecia algo bem distante da realidade de um estudante de
jornalismo. Quando encontrei o perfil de Pola no Twitter (@poliamida) me
deparei com o neologismo geográfico que constava no campo de “localidade”: Brasiloche,
uma clara junção de Brasil e Bariloche.
A possibilidade da argentina ser
acessível e ter um certo carinho pelo nosso país tornou tudo mais viável.
Grande destaque da Flip 2011, Pola Oloixarac chamou a atenção da mídia nacional por seu carisma, beleza
exótica, vasto conhecimento cultural e, principalmente, por sua obra “As
Teorias Selvagens” (Editora Benvirá, 2011), tão aclamada pela crítica
internacional.
Abordando temas políticos e filosóficos em um cenário geek, o
livro se destaca dos romances convencionais na literatura argentina, contendo
uma narrativa satírica e de complexa leitura. Em entrevista por e-mail, a
argentina fala de suas influências e faz mistério sobre projetos futuros.
TUDO E ETC: Quais são as
suas influências literárias que acabaram refletindo em “As Teorias Selvagens”? O
livro também foi escrito baseado em experiências próprias?
POLA: Os livros que li na época: “Fogo Pálido” e “Lolita” de
Vladimir Nabokov, e tudo que eu encontrava sobre a luta armada na Argentina. A
partir de 2001, houve um boom editorial da literatura de sobrevivente, como best-seller
de aventura misturado com temas do Holocausto do Estado Alemão. Lia muitos
blogs e coisas que encontrava na internet. A experiência é sempre um híbrido de
leituras e sensações.
T&E: Sua obra possui um aspecto político como base de
desenvolvimento, de onde surgiu essa ideia de abordar problemas políticos passados
em um cenário tecnológico com hackers e pornografia digital?
POLA: Eu estava interessada em como se dá a subversão
política na contemporaneidade. O raqueamento ao Google Earth tem a ver com isto:
uma meta global e essas novas linguagens simbólicas.
T&E: O livro chamou bastante a atenção da crítica, que se
surpreendeu com sua escrita forte, considerada por alguns como “máscula”,
contrastando com sua feminilidade (o fato de se interessar por moda e ser uma
mulher atraente). Você acredita que essa surpresa é uma posição machista e preconceituosa
ainda presente no universo da literatura?
POLA: A literatura é, infelizmente, um meio muito machista.
Ser parte da cultura não faz as pessoas menos Neanderthais... às vezes é o
oposto!
T&E: Atualmente é comum (até demais) trazer obras
literárias para o cinema. Caso algum dia lhe seja proposto adaptar “As Teorias Selvagens”
em filme, você aceitaria?
POLA: É claro que eu gostaria de explorar essa possibilidade,
você pode fazer coisas divertidas na linguagem audiovisual. Claro que também se
podem ter coisas de má qualidade... de todo modo, se ficar ruim sempre se pode
culpar o cineasta. ;)
T&E: Existe algum autor ou obra brasileira que tenha te
chamado mais atenção a ponto de se tornar grande admiradora?
POLA: Bernardo Carvalho. Eu acho que é um mestre
contemporâneo.
T&E: Quais são
seus futuros projetos na literatura? Seguem temas com semelhanças ao “As Teorias
Selvagens”?
POLA: Algo assim... Mas são super secretos! :D
