8 de set. de 2012

A simplicidade de Transmissor

Phillipp Gripp


Quem nunca teve ou conheceu alguém com vontade de ter uma banda? Seja pela fama ou pelo dinheiro. Mas e por amor? Você já conheceu alguém que sonhou em ter uma banda com o intuito de ficar perto de quem se gosta? A banda Transmissor “é a forma que um bando de amigos chegando aos trinta anos encontrou para continuarem se reunindo com frequência”, como explica um dos vocalistas, Leonardo Marques, no site deles. E esse amor é perceptível pela harmonia entre a banda mineira em qualquer música de seus dois álbuns ('Sociedade do Crivo Mútuo' – 2009 – e 'Nacional' – 2011). Foi como unir o útil ao agradável, já que, como explica Leo, em entrevista para a Tudo & Etc, “Todos vivemos e respiramos música o tempo inteiro”.


Antes de os cinco amigos se reencontrarem e começarem a Transmissor, Leo morava em Los Angeles com sua antiga banda Diesel (atual Udora), e nos explica que o nome da atual banda não tem muito motivo de ser: “eu queria começar um novo projeto musical (...) e na época coloquei esse nome [Transmissor] no projeto, sem muitas associações ou intenções, ele meio que surgiu e gostava de como ele soava”.


(Foto: Reprodução)

Assim como o nome da banda, parece que, para eles, tudo se resume em uma questão de sentir, de uma boa intuição, como as artes para os discos da banda feitos por Pedro Hamdan, o baterista, que explica “não consigo dizer se os desenhos têm uma relação direta aos nomes dos discos, eles não foram feitos com a intenção de representar literalmente alguma coisa (...) o que sei é que a gente gostou dessa ideia de representar dois cenários pela mesma perspectiva, horizontes camaradas”.

Todo esse momento de sentir é primordial na hora de trabalhar e é tudo muito nítido quando se ouve o produto final, como em 'Bonina' (Dizem por aí, meu bem, que o azul / Se trocado por anil, não dá tom / Eu pinto o amor com cor demais, sementes / Pra toda hora que eu olhar a bonina nascer), embalada pela belíssima voz de Jeniffer Souza, ou em 'Poema da Batalha' (Aspire meus erros e os jogue fora / Limpe os vestígios, lustre os absurdos / Com esforço talvez se tornem glorias), com uma melodia suave na voz de Thiago Corrêa.

Nos dois discos, letras e melodias parecem terem sido feitas umas para as outras, e Leo nos explica que “tudo influi de alguma forma nas letras e melodias, desde relacionamentos amorosos, aos discos que escutamos, filmes que assistimos, livros, conversas, por ai vai. Cada música e cada um que a compõe tem sua peculiaridade e a razão de dizer o que disse nas letras, é tudo muito íntimo e pessoal”. O companheirismo entre os cinco amigos também está implícito no nome do primeiro álbum da banda, como Pedro nos revela "'Sociedade do Crivo Mútuo' reflete nosso espírito à época da composição do disco, onde todos tinham abertura pra apresentar ideias, discuti-las e submetê-las ao crivo dos outros integrantes”.


(Foto: Reprodução)

A banda ainda está começando a cair nas graças do público nacional e saindo do circuito de Minas Gerais. Hoje mesmo (08/09), às 18 horas, os cinco amigos estarão em Porto Velho (RO) tocando no Festival Casarão e Leonardo nos diz, entusiasmado, que, apesar de não serem tão conhecidos, eles querem “viajar muito e tocar onde pudermos (...) vontade é o que não falta”.

A Transmissor é simples assim, como o amor. Amor este que, como Pedro tenta explicar, “é o sentimento que surge quando você abraça um cachorro querido”. Tão simples que não é preciso um significado, afinal, tanto o que eles produzem quanto o sentimento foram feitos para serem sentidos.

- Acesse o site oficial da banda e conheça mais deste trabalho. Dá para comprar discos, além blusas e pôsteres com as artes dos álbuns.