30 de dez. de 2012

Top 20: Melhores álbuns internacionais de 2012

Rock, pop, folk, rap, R&B... 2012 foi um ano amplo, de sonoridades novas e recicladas, de artistas que chegam ao seu ápice criativo e outros que ainda engatinham no cenário musical. Fizemos uma lisat dos 20 álbuns que chamaram nossa atenção este ano e como sempre, vocês já sabem: listas são muito pessoais e, geralmente, intransigentes, por isso, comentem, deem sugestões e xinguem, por que não?
Com vocês, a nossa lista dos 20 álbuns internacionais que mais gostamos:




20: Niki and the Dove  Instinct
O cenário musical sueco é incrível e de lá veio o Niki and the Dove. A banda se encontra numa linha tênue entre seus conterrâneos: próximos das experimentações do The Knife mas sempre pops como a Robyn. Com canções decididamente envolventes, com letras na medida certa de mágoa e com mudanças de ritmos e alterações vocais que fazem do duo uma das coisas mais divertidas para se ouvir, seja na balada ou em casa, enquanto embriaga-se com um freixenet. 


19: First Aid Kit – The Lion’s Roar
Mais duas suecas nessa lista: as irmãs do First Aid Kit. As garotas seguem em duas linhas que a Suécia é mestre: a música pop e a doçura sonora, a isso elas incluem o country e o folk, fazendo assim um álbum decididamente belo, daqueles para se ouvir no carro, enquanto viaja-se sem rumo. Suaves, mas incisivas, bucólicas e apaixonadas, sem soar datadas, as garotas fazem a trilha sonora para amores de verão e também para dias melancólicos.

18: Sharon Van Etten – Tramp
Sabe aquele disco que não quer revolucionar a música, mas tem uma sinceridade tão exposta que nos apaixona? É isto que Sharon Van Etten fez em seu terceiro disco, um álbum de canções para agarrarmos com as unhas e sentirmos elas nos abraçando e dizendo "é difícil essa história de viver, mas vamos lá". Misturando o melhor do rock, do folk e do country e contando com parceiros como Zach Condon (Beirut), Matt Barrick (The Walkmen), Aaron Dessner (The National), entre outros, Sharon faz canções com força para sustentar o peso do mundo e nos embalar.

17: Cold Specks – I Predict a Graceful Expulsion
Com uma voz poderosa, Al Spx fez de seu trabalho como Cold Specks uma maravilha soul, com uma sonoridade pontual, que abre espaço para seu canto e sua poesia. Canções curtas que encantam pela intensidade, num turbilhão de sentimentos, emaranhados em guitarras e sopros que aparecem no momento certo e desaparecem quando o que brilha é a força de Al Spx. Com potencial para ser uma Adele sem a pieguice, "I Predict a Graceful Expulsion" precisa ser valorizado como um álbum de soul digno de qualquer diva negra.

16: Perfume Genius – Put Your Back N 2 It
Confessional é a melhor palavra para definir o trabalho de Mike Hadreas em seu projeto Perfume Genius. Nesse segundo álbum ele intensifica sua fórmula de despejar dramas em canções que vão de dois a três minutos. Homossexualidade, amor, família e ressentimentos são revistos nas pequenas pérolas de Mike, fazendo deste um álbum para nos acalentar em dias de dúvida e confusão.

15: Daughn Gibson – All Hell
O country encontra a música eletrônica em um disco cheio de acertos. Dos encontros entre sonoridades clássicas do ritmo americano as incursões de barulhos e esquizofrenias típicas de nosso tempo, Daughn faz um álbum pronto para ser descoberto. Com canções que exploram aquelas dúvidas quase cristãs e um pecado latente, o músico abre caminhos para uma sonoridade nova e cativante, que nos embala nesse inferno ultra-particular.

14: Alabama Shakes – Boys & Girls
Às vezes, tudo que precisamos é um pouco de reprise daquilo que amamos e é isso que o pessoal do Alabama Shakes faz: reúne o melhor dos encontros entre o rock e o soul e faz um álbum que poderia estar perdido nos anos 60. Com alusões ao cristianismo, a uma vida no interior do Alabama e com acertos de uma grande banda de rock, o debut dos americanos é a prova de que muitas vezes as coisas boas estão em uma referenciação não-submissa dos clássicos.

13: Bat for Lashes – The Haunted Man
Exagerada, orquestral, megalomaníaca. São alguns adjetivos que podem ajudar a compreender as atitudes de Natasha Khan, a Bat For Lashes, neste seu novo disco. Trilhando os passos de gente como Kate Bush e Björk, Natasha sabe muito bem o que faz: canções que pulsam como se fossem os últimos minutos de vida. Com ares de deusa pop ao avesso, Bat For Lashes não precisa provar mais nada, é uma poeta do amor, das dores e destes tempos confusos.

12: Metric – Synthetica
Tempos confusos também marcam o quinto álbum do Metric, cheio de sintetizadores e unindo o rock a eletrônica, o que é uma marca da banda, os canadenses fizeram assim um disco maduro, consciente de seu tempo e, ainda por cima, cheio de alma. Com direito a participação do Lou Reed, "Synthetica" busca compreender o amor e as relações humanas em meio a todas as tecnologias que abundam nosso cotidiano. Com mais incertezas e quase nenhuma resposta, Emily Haines e companhia fizeram um disco para ficar ecoando em nossa cabeça, seja nos momentos em que dançamos ao som de "Youth Without Youth" ou que sofremos com "Breathing Undewater".

11: Death Grips – The Money Store / No Love Deep Web
Punk-noise-rap. Meio complicado de definer, o Death Grips é um estouro, um coquetel molotov intenso, mesclando rap e porradaria, a banda faz um som tão doido e inteso, que tem nas suas canções rápidas e simples, um certo apelo pop-rebelde que cativa. A banda lançou dois álbuns este ano, cada um com uma capa mais doida que a outra, sendo No Love Deep Web o concorrente a capa mais grotesca-wtf-genial do ano. Não poupando nada, nem ninguém, o Death Grips pode ser um amor passageiro como também pode definir novos caminhos para o rap.

10: How to dress well – Total Loss
O R&B nunca mais será o mesmo depois deste disco do How to dress well. Deixando o ritmo, conhecido por sua sensualidade, com um ar soturno e quase lisérgico, Tom Krell, o cara por trás disso tudo, faz um disco daqueles para se apaixonar, que serve tanto de trilha sonora para momentos de melancolia quanto para momentos de paz absoluta. Etéreo na medida certa, pontuado por incursões pop e cheio de texturas, “Total Loss” é certamente uma pérola a ser colocada no repeat. Abandonando as camadas lo-fi que encobriam sua estreia, "Love Remains", Tom dá espaço para sua voz aparecer de forma entregue e sincera, como num encontro de Whitney Houston com a música eletrônica.

9: Cat Power - Sun
Chan Marshal sempre foi a senhora da fossa, mas sua última separação (do ator Giovani Ribisi) lhe deixou mais confiante e um tanto quanto rebelde. Cortou os cabelos, inseriu sintetizadores em sua música e fez canções cantaroláveis, algo raro em sua carreira. Cheio de sinceridade, "Sun" mostra uma maturidade confiante de uma agora quarentona Cat Power, cheia de intensidade e força, pronta para nos guiar em seu mundo agora iluminado por feixes de luz e uma mágoa que não machuca, mas se vinga.

8: Ariel Pink’s Haunted Graffitti – Mature Themes
Com cara de vhs antigo. Jeitinho de trilha sonora de filme pornô dos anos 70. Filme de ação barato assistido enquanto se joga vídeo-game. Estas podem ser algumas das possíveis definições do som do Ariel Pink encontrado neste álbum. Coeso em toda sua confusão, o álbum nos leva numa das viagens mais divertidas do ano, passando por canções como a deliciosa “Only in my dreams”, a doida e barulhenta “Schnitzel Boogie” e a envolvente “Symphony of the Nymph”, porém a mais sedutora e cafajeste do disco é logo a última canção, um cover de “Baby”, da dupla Donnie & Joe Emerson, dos anos 70. Para quem se aventurar nas loucuras do Ariel, a diversão é garantida!

7: Poliça – Give You The Ghost
Estranheza é a primeira reação a estreia dos americanos do Poliça. Reverberações, uma amálgama entre as sonoridades acústicas e os eletrônicas, numa lisergia envolvente. Quando sentimos já fomos tragados pela atmosfera do álbum e estamos nos remexendo suavemente ao som das batidas quase desconexas ou repetindo a exaustão versos que soam como mantras, num redemoinho de amor e sofrimento. Um álbum para se sentir aos poucos e se deixar envolver.

6: The xx – Coexist
Delicadeza, sensualidade e dores de amor, assim se apresentou o The xx para o mundo e nesse segundo disco, os ingleses aparecem mais melancólicos, mais silenciosos, mais introspectivos, seja pelo acerto de cada sonoridade incluída por Jamie xx ou pelos sinceros duetos entre Romy e Oliver. Com letras que exprimem tudo que os corações apaixonados mais temem, em versos como "All I have/I will give to you/And at times when no one wants to/I will give you me/And we'll be/Us" ou "I always thought it was sad/They way we act like strangers/After all that we had/We act like we had never met". Um disco para dias solitários e melancólicos, daqueles em que os versos "I wake up alone/With only the daylight between us" fazem todo sentido.

5: Dirty Projectors – Swing Lo Magellan
Neste “Swing Lo Magellan”, David Longstreth e companhia brincam sem medo de serem pops. O disco reúne tudo que de melhor o Dirty Projectors sabe fazer: jogos vocais, guitarras distorcidas de forma curiosa e até palminhas. David classificou o disco como um “álbum de canções”, porém há uma coesão dentro da obra, que nos leva por gêneros como o indie, o pop, o R&B, o shoegaze, o rock psicodélico e outros, sem nunca perder o fio da meada. Nessa orgia de gêneros, os nova-iorquinos criam sua própria marca, perceptível desde a primeira audição do álbum e que nos conduz numa viagem lisérgica e musical extremamente recompensadora.

4: Grizzly Bear – Shields
O quarto álbum dos novaiorquinos do Grizzly Bear é um sonho: em cada detalhe, em cada guitarra, em cada  canção. Um misto entre instrumentos acústicos e elétricos, "Shields" é um álbum que cresce a cada nova audição, que nos conquista aos poucos e nos envolve no universo mágico da banda. Intenso e suntuoso como um belo álbum de rock, não se deixa abandonar das simplicidades e da beleza tão caras ao Grizzly Bear. Um álbum daqueles para se guardar para toda vida.

3: Fiona Apple  The Idler Wheel Is Wiser Than The Driver Of The Screw And Whipping Cords Will Serve You More Than Ropes Will Ever Do
Depois de sete anos do lançamento de"Extraodinary Machine", a americana Fiona Apple voltou mais magoada ainda, com um álbum doloroso e envolvente. A cada nova canção do disco de longo nome dá vontade de dar um abraço na Fiona e dizer “eu te entendo”.  Passando de canções viciantes como “Every Single Night” e “Werewolf” até canções de intensidade vocal assustadora como “Hot Knife” e “Regret”, cada nova faixa é um tratado poético que nos envolve em um mundo que é da Fiona e de todos nós. Mágoas, dores e fragilidades expostas na pele, é isso que significam as canções deste disco. Fiona se expôs de forma única e intensa, como há tempos não víamos na música e assim fez um dos discos mais lindos de sua carreira.

2: Frank Ocean – Channel Orange
Este foi o ano do R&B, ok, isso já sabemos, mas Frank Ocean fez do R&B aquilo que esperamos desde os anos 90, uma suavidade pop e uma sensualidade hipnotizante. Batidas envolventes, letras confessionais, participações acertadas (até mesmo John Mayer se sai bem), falsetes nos momentos exatos: uma pérola pop! Frank Ocean é dono de seu som e este foi seu ano, escreveu canções para gente como Beyoncé e Justin Bieber, assumiu sua homossexualidade e fez um disco que representa tudo de melhor que o R&B pode ser. Honrando os deuses do gêneros e confessando seus sentimentos mais íntimos em versos delicados, Frank mostra que é possível fazer obras complexas, sinceras e, totalmente, cantaroláveis.

 1: Jessie Ware – Devotion
Sexy sem ser vulgar (rs), esta é a frase que define a estreia da britânica Jessie Ware. Mesclando a sensualidade de Sade com as batidas R&B de Aayliah, Jessie fez o improvável, um disco que consegue ser extremamente pop e acessível, que dá fôlego novo ao R&B e que apresenta toda a sonoridade eletro que vem sendo experimentada por muita gente nos últimos anos. Com tudo isso pareceria normal que Jessie habitasse listas de melhores do ano e o coração dos antenados, mas "Devotion" foi além e ficou em 5º lugar na lista de mais vendidos da Inglaterra no seu mês de lançamento e o vídeo de "Running" já foi visto mais de duas milhões de vezes no YouTube.
Sensual, poderosa e envolvente, Jessie ainda crescerá muito, algo que seu disco de estreia prova que ela é capaz.