10: Maria Bethânia – Oásis de Bethânia
Bethânia poderia se acomodar como muitos dos cantores mais velhos e fazer eternamente o mesmo disco (vide Chico Buarque e seus nada relevantes últimos álbuns), mas não, ela prefere continuar a cantar o que sente e chega ao seu 50º álbum com fôlego total. A cantora queria expressar-se só no disco, e assim o é, com uma aridez que reflete sua capa, o "Oásis de Bethânia" ainda assim transborda aquele amor brejeiro e intenso que a baiana tanto nos presenteia. Cantando de Djavan a Chico Buarque e contando inclusive com citações de Fernando Pessoa, curiosamente, a canção mais ímpar do álbum é uma composição de Bethânia, a amargurada "Carta de amor".
Entregue, sincera e um bocado triste, Bethânia continua sendo relevante.
Entregue, sincera e um bocado triste, Bethânia continua sendo relevante.
9: Tulipa Ruiz – Tudo Tanto
Tulipa Ruiz apresentou-se em 2010 como uma cronista das noites boêmias da juventude paulista, dos amores complicados e entregues, porém em 2012 ela quis unir-se mais a escola de Gal Costa e fez um álbum recheado de experimentações vocais, porém sem deixar de soar pop. Contando com gente como Lulu Santos e Criolo, Tulipa se mostra madura o suficiente para mudar, ousar e cantar o que sente.
8: Caetano Veloso – Abraçaço
"Tudo mega bom, giga bom, tera bom / Um alegria excelsa pra você / No paraíso astral que começa".
Em 2006, Caetano Veloso uniu-se a banda de rock alternativo Cê e agora ele fecha a tríade, depois dos discos "Cê" e "Zii & Zie", com o belo "Abraçaço". Nos limites entre o alegre e o magoado, o álbum fecha um dos vários belos ciclos na carreira de Caê, seja com as citações a Guimarães Rosa e lutadores de MMA em meio as guitarras de "A Bossa Nova é Foda" ou no saudosismo doloroso de "Um Comunista" e até mesmo no exagero de "Funk Melódico". Guitarras distorcidas, exageros vocais típicos do baiano e aquela poética quase esquizofrênica que só Caetano tem, enfim, uma obra a ser degustada, a ser sentida, pois há quem não se identifique com "estou vazio e ao mesmo tempo farto" e outros versos de "Estou Triste"?
7: Rodrigo Campos – Bahia Fantástica
Quando a São Paulo de Adoniran Barbosa encontra a dos Racionais MC's, eis que surge Rodrigo Campos. Como um resumo de todas as sonoridades que vinham aos poucos se apresentando por São Paulo, sejam nos discos do Passo Torto (do qual faz parte ao lado de Kiko Dinucci, Romulo Froés e Marcelo Cabral) ou nos projetos de afrobeat que abundam pela capital paulista. Com participações de gente como Luisa Maita, Juçara Marçal, Criolo, Gui Amabis, entre outros, "Bahia Fantástica" é um tratado poético sobre a vida cotidiana do brasileiro. Simples e requintado, comedido e exagerado, feito de paradoxos, o álbum cria em canções de uma poesia delicada um alento sonora, como nas curtas e lindas "Aninha", "Capitão" e "Morte na Bahia"
6: Gaby Amarantos – Treme
Reunindo ritmos que pululavam pelo Pará a tempos e contando com a produção de gente como Carlos Eduardo Miranda e Felix Robatto, Gaby fez um dos álbuns mais divertidos de 2012. Trazendo da periferia canções que invadiram o imaginário nacional como uma boa cantora pop. "Treme" traz em seu emaranhado de referências um novo espaço para a canção nacional, uma fuga do lugar-comum. Através de Gaby o tecnobrega consegue neste disco abrir novos caminhos e traz uma sonoridade refinada e bem trabalhada, seja em suas escolhas, como a regravação de "Coração está em pedaços", de Zezé Di Camargo e Luciano ou nas participações de Fernanda Takai e Dona Onete, "Treme" é para animar aquelas tardes ensolaradas e fazer remexer nas baladas.
5: Tom Zé – Tropicália Lixo Lógico
Tom Zé continua sendo doido e nós agradecemos. Unindo-se ao pessoal da nova geração, como Mallu Magalhães, Emicida, Pélico e Rodrigo Amarante, Tom Zé resolveu (re)investigar a seu modo o tropicalismo, movimento do qual foi um dos fundadores. Correlacionando Tropicália, anos 60 e Aristóteles, Tom fez aquilo que faz de melhor, canções estranhamente simples e suntuosamente complexas, cheias de caminhos e novas lógicas. Com canções rápidas e cheias de refrões cantaroláveis, Tom Zé continua sendo, aos 76 anos, uma das mentes mais criativas deste país.
4: Céu – Caravana Sereia Bloom
Em seu terceiro disco, Céu resolveu por o pé na estrada e fez deste "Caravana Sereia Bloom" um álbum cheio de paisagens, caminhos e sonoridades. Unindo sons que se relacionam ao reggae, ao manguebeat, a cantora fez um álbum que remota a um gostoso road movie. E cinema é uma de suas referências, como o belo "Viajo porque preciso, volto porque te amo", de Karim Aïnouz. Diferente do clima quase sensual de "Vagarosa", este álbum apresenta uma malemolência envolvente, um clima de verão mormacento, daqueles que nos envolvem. Seja na beleza de "Asfalto e Sal" e "Retrovisor" ou no suingue de "Chegar em mim", este álbum firma Céu como uma das melhores artistas jovens deste país.
3: SILVA – Claridão
Lúcio Silva apareceu delicadamente em 2011 com o seu SILVA, apresentando cinco canções delicadas e que se comunicavam com os anos 80 e com a chillwave, em voga naquele ano. Depois de encantar muita gente, eis que num contrato com a Slap, braço da Som Livre, Lúcio lança sua estreia, "Claridão", que emplacou a canção "A Visita" na trilha sonora de "Malhação" (ainda não definimos se isso é bom ou ruim) e aumentou seu público. Incluindo as cinco canções já conhecidas, SILVA agrega no álbum outras pérolas de delicada beleza, com suas reverberações e suas eletronices que remetem novamente aos anos 80. "Claridão" traz canções que se vestem de simplicidade, mas que possuem uma complexidade sonora, como as belas "2012", "Mais Cedo", a canção-título e "Ventania", esta último com o singelo verso que diz: "amar é ventania".
2: Lucas Santtana – O Deus que devasta mas também cura
Os discos anteriores de Lucas Santtana eram marcados pelo experimento, o músico sempre estava em busca de reconfigurar ritmos e renová-los. Nesse "O Deus que devasta mas também cura", Lucas impõe sua marca, toda sua bagagem musical é realocada em canções que soam perfeitamente pops e cantaroláveis, fazendo deste um álbum de beleza quase dolorosa. Isso tudo é visto na orquestração do maestro Letieres Leite na canção-título, nas referências tecnobrega em "Ela é Belém", na regravação de "Músico" (originalmente uma parceria de Tom Zé com Os Paralamas do Sucesso), cantada ao lado da Céu e até a voz de seu filho, Josué, ao lado dos colegas de escola e da professora Cris, em "Dia de furar onda no mar". Um álbum que, até quando não fala de amor, é, imensuravelmente, de amor. Para se ouvir no repeat e servir de trilha sonora para novos e antigos amores.
1: Metá Metá – MetaL MetaL
E então o Sonic Youth conheceu a macumba...
O encontro entre Juçara Marçal, Kiko Dinucci e Thiago França já havia rendido o lindo álbum "Metá Metá", em 2011, porém em 2012 o trio simplesmente bagunçou tudo que entendemos por música brasileira: abandonando a lógica do "sambinha-indie" que abunda a nova geração da MPB, o trio jogou macumba, afrobeat, rock, noise, jazz, samba e fez o "MetaL MetaL". Com letras ora em yourubá ora em português, reunindo desde canções popularmente clássicas até uma composição inédita de Itamar Assumpção com Alice Ruiz, o Metá Metá assim toma para si o direito de fazer o que bem entender com o som, com a música e com seu ouvinte. Com ao saxofone alucinado de Thiago e as experimentações no violão de Kiko Dinucci, Juçara nos conduz como uma encantadora de serpentes por esse universo habitado por entidades afro-brasileiras, por tratados/macumbas que soam como uma bomba sonora. "MetaL MetaL" é um álbum para se deixar levar pelas sonoridades, pela intensidade. É um álbum que retira da música brasileira aquele ranço eterno de imitar a tropicália ou de "wannabe Marisa Monte". É um novo caminho para nossa música.
O encontro entre Juçara Marçal, Kiko Dinucci e Thiago França já havia rendido o lindo álbum "Metá Metá", em 2011, porém em 2012 o trio simplesmente bagunçou tudo que entendemos por música brasileira: abandonando a lógica do "sambinha-indie" que abunda a nova geração da MPB, o trio jogou macumba, afrobeat, rock, noise, jazz, samba e fez o "MetaL MetaL". Com letras ora em yourubá ora em português, reunindo desde canções popularmente clássicas até uma composição inédita de Itamar Assumpção com Alice Ruiz, o Metá Metá assim toma para si o direito de fazer o que bem entender com o som, com a música e com seu ouvinte. Com ao saxofone alucinado de Thiago e as experimentações no violão de Kiko Dinucci, Juçara nos conduz como uma encantadora de serpentes por esse universo habitado por entidades afro-brasileiras, por tratados/macumbas que soam como uma bomba sonora. "MetaL MetaL" é um álbum para se deixar levar pelas sonoridades, pela intensidade. É um álbum que retira da música brasileira aquele ranço eterno de imitar a tropicália ou de "wannabe Marisa Monte". É um novo caminho para nossa música.










