19 de fev. de 2013

Destino: um pequeno infinito

Pamela Faustino

”Alguns infinitos são maiores que outros... Há dias, muitos deles, em que fico zangada com o tamanho do meu conjunto ilimitado. Eu queria mais números do que provavelmente vou ter.” (Hazel)

O best-seller A Culpa é das Estrelas, do norte-americano John Green, foi lançado em 2012. Nos Estados Unidos permaneceu por várias semanas no topo dos mais vendidos pelo “The New York Times”. Para surpresa de uns, e confirmação de outros, ele foi nomeado um dos 10 melhores livros de ficção do ano pela “Times”.

O desejo de escrever um romance baseado em pacientes terminais surgiu quando Green trabalhava como voluntário num hospital infantil que tratava de crianças e adolescentes com câncer. Mas foi em 2010, quando conheceu Esther - uma garota de 16 anos que tinha câncer de pulmão e vivia ligada a cilindros de oxigênio -, que Green encontrou a inspiração que lhe faltava. “A Esther inspirou a história porque eu fiquei muito zangado depois da morte dela e comecei a escrever... eu não poderia ter escrito A culpa é das estrelas se eu não tivesse encontrado uma adolescente que fosse tão altruísta quanto Esther”, revela Green em seu tumblr.

O livro narra o romance de dois jovens, Hazel e Augustus, que se conheceram durante uma reunião do Grupo de Apoio a Crianças com Câncer. Hazel é uma paciente terminal, que teve o último capítulo de sua história escrito no momento do seu diagnóstico - câncer de tireoide com metástase para o pulmão, doença que a faz usar tubos de oxigênio e tomar uma nova droga para sobreviver. Augustus teve osteossarcoma - tumor maligno de ossos, que, geralmente, aparece próximo ao joelho - e perdeu uma perna para o câncer, mas está sem evidências da doença há um ano. Além dos sinais do câncer, o casal compartilha um ótimo senso de humor e formas peculiares de tratar os clichês da doença. O enredo é composto por surpresas e aceitações.

O autor John Green

Hazel e Augustus lidam com o câncer de uma forma simples, porém verdadeira. Ela se considera uma “granada” que pode explodir a qualquer momento e machucar todos em sua volta. Ele não tem medo de viver, nem de morrer, apenas de ser esquecido. Quando Augustus tenta se aproximar de Hazel, no primeiro momento, ela corresponde, mas depois se sente culpada por ele também ser um possível ferido. Entretanto, ainda que contrariando a vontade da jovem, ele não desiste tão fácil da relação – arrisco-me a dizer, a partir disso, que não há forma melhor de ser lembrado do que por ter vivido um grande amor.

A história é narrada segundo o olhar de Hazel, uma garota inteligente, leitora voraz, dona de sensibilidade própria, humor sarcástico e ideias afiadas. No decorrer da trama aparecem personagens marcantes que complementam a vida e as experiências do casal – os amigos, as famílias e um autor de caráter duvidoso que os dois conhecem juntos - relações que os fazem lidar melhor com a ideia de viver e morrer.

Para quem curte metáforas e diálogos reflexivos, pode ter certeza que as conversas entre os personagens principais vão agradar. Apesar de eu esperar algo mais profundo e intenso, fiquei satisfeita quando cheguei à última página. O romance idealizado e simples me tocou de uma forma singela, sem choros ou melancolia. John Green conseguiu seguir uma linha suave e intuitiva, o desfecho não poderia ser diferente, considerando que lá pelo meio do livro ele traz uma reviravolta na história.


Ainda que taxado como um livro ficcional voltado a jovens adultos, tenho certeza que irá atingir – seja de forma positiva ou negativa - qualquer pessoa que o ler do início ao fim. Acompanhar a vida de adolescentes com câncer, da forma como foi narrada, nos faz refletir sobre os nossos pequenos infinitos individuais, como nossas vidas também podem acabar a qualquer momento.

Agora, para você que leu e gostou da história a novidade será um bônus, mas se não gostou acostume-se, pois ainda ouvirá muito os nomes Hazel e Augustus. Como já é praticamente de lei dentre os best-sellers, ainda este ano, será lançado um filme baseado no livro. Segundo a MTV norte-americana o elenco ainda não foi definido, mas a produção foi delegada a Marty Bowen e Wyck Godfrey, os mesmos produtores de Crepúsculo. Confesso que estou curiosa para ver o trabalho finalizado. O amor de dois jovens com infinitos tão pequenos já colocou o livro A Culpa é das Estrelas na lista dos adaptados para os telões de cinemas.













Título: A Culpa é das Estrelas
Autor: Jonh Green
Isbn: 9788580572261
Páginas: 288
Tradução: Renata Pettengill
Editora: Intrínseca