16 de fev. de 2013

O sertanejo estragou meu Luto Musical

Nycolas Ribeiro


Fonte da ilustração: tumblr
Quando se termina um relacionamento passamos por uma fase que, particularmente, gosto de chamar de Luto Musical: quando não se pode ouvir nenhum álbum ou canção que remeta a qualquer momento do casal, pois isso trará a lembrança do relacionamento que nem esfriou no caixão. Quando eu estivesse nessa fase, esperava me pendurar na sacada com o Cícero e me afogar no tanque com Placebo. Estava convicto que eu tomaria uma garrafa de um vinho que está quase virando vinagre ao som de Apanhador Só e prenderia a respiração até ficar roxo ouvindo The National. Ledo engano.


Dia desses, fui ao supermercado, onde ecoava todos os tipos possíveis de sertanejos entre os corredores. Caí na fossa e caí em mim: nesses dois meses pós fim de relacionamento, percebi que tenho me martirizado mais com as baladas sertanejas do que com as fossas do The Kooks. Consigo ouvir um álbum inteiro do Munford and Sons sem ficar devastado, mas basta que caminhonetes passem pela rua em frente ao meu apartamento tocando Jorge e Mateus no volume máximo para que meu coração pule do décimo andar à calçada da praça em frente ao prédio.

Não que eu goste de sertanejo e esteja me apegando ao ritmo. Pelo contrário. Mas quando se tem uma longa relação com quem gosta (majoritariamente) desse nicho musical, as coisas mudam um pouco de lugar. A situação fica ainda mais complicada quando se mora em uma cidade de fronteira na qual as opções de lazer noturno incluem esse ritmo musical. E nem adianta tentar se refugiar no país vizinho, pois a música de Michel Teló também encontrou ali uma humilde residência para esperar o seu amor.

- Essa  música nãããããão!

Refleti sobre o que, para mim, era uma puta descoberta e concluí: o que eu gosto (ou gostava) é do momento que essas músicas representam. Como li em um texto de um amigo sobre a busca por um amor, sempre se busca alguém com um gosto musical parecido, seja para mandar um trecho de alguma canção do Kings of Leon por SMS ou para transar ouvindo Change do Deftones. E adivinhe só: me apaixonei por quem curtia Munhoz e Mariano.

Acostumei e sobrevivi ao estilo musical, e, como todo apaixonado, acatava o certo romantismo das letras e ficava incrivelmente feliz por ser o cara pelo qual a música foi dedicada. Enquanto enviava composições do incrível Ben Gibbard através de músicas do Death Cab For Cutie, eu recebia um Everest do Fernando e Sorocaba. E achava fofo.

Percebi que o sertanejo é mais perigoso do que eu pensava. Ele não só me obriga a beber vodka barata com Tang de limão para dançá-lo na balada, como também me força a rever meus (pré)conceitos sobre quando a paixão “sertanejo-universitária” pega de jeito.