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12 de jul. de 2014

#eueamonalisa: tirando uma selfie na exposição de arte

Renan Guerra

Todas as selfies que compõem esse post foram achadas
numa rápida pesquisa pelo Google.
Dia desses, eu estava visitando a exposição do Sebastião Salgado, “Gênesis”, na Usina do Gasômetro em Porto Alegre, quando, lá pelas tantas, um homem diz a sua mulher “nessa aqui, ó, as dunas são ótimas”, apontando para a obra exposta na parede. Logo, os dois se viram de costas para a fotografia que mostra belas dunas de areia da África e o moço posiciona seu celular para uma selfie romântica em frente à imagem. Eu, que queria seguir apreciando a exposição, tive que esperar o casal acertar a foto, depois de umas três tentativas, até conseguir ver as obras seguintes.

Nada disso me causou raiva, mas sim uma dúvida: qual o real sentido de uma foto em uma exposição fotográfica? Não me venham com uma desculpa relacionada à metalinguagem. Parece-me uma necessidade desmedida de fotografarmos tudo que vemos (e aqui me incluo no balaio), ao invés de aproveitarmos o momento. Nesse sentido, lembro que todas as pessoas que eu conheço que já foram ao Louvre, ao se aproximarem da “Monalisa”, de Da Vinci, surpreendem-se, para além de seu tamanho diminuto, com a quantidade de pessoas em seu entorno, tentando fotografá-la (e essas mesmas pessoas que conheço também têm fotos da Monalisa).

16 de fev. de 2013

O sertanejo estragou meu Luto Musical

Nycolas Ribeiro


Fonte da ilustração: tumblr
Quando se termina um relacionamento passamos por uma fase que, particularmente, gosto de chamar de Luto Musical: quando não se pode ouvir nenhum álbum ou canção que remeta a qualquer momento do casal, pois isso trará a lembrança do relacionamento que nem esfriou no caixão. Quando eu estivesse nessa fase, esperava me pendurar na sacada com o Cícero e me afogar no tanque com Placebo. Estava convicto que eu tomaria uma garrafa de um vinho que está quase virando vinagre ao som de Apanhador Só e prenderia a respiração até ficar roxo ouvindo The National. Ledo engano.

11 de out. de 2012

O analfabetismo cultural do brasileiro

Julianne Lopes 

O brasileiro é um povo pobre! Mas não me refiro necessariamente a recursos financeiros. Certa vez o professor e ex-senador Cristovam Buarque escreveu: “até o brasileiro mais rico ostenta certa pobreza de espírito”. Estamos habituados ao consumo e à exibição de bens materiais voláteis, como se estes pudessem substituir nossa falta de afinco pelo crescimento e aperfeiçoamento da mente, afinal, como sugeriria Zygmunt Bauman, vivemos em uma sociedade que supervaloriza kits identitários numa relação de “compro, logo sou, logo existo”. Aqui no Brasil, terra de grandes escritores e dramaturgos, o apreço pela arte é difundido e estimulado, no entanto, a partir do momento que eventos culturais dependem de um investimento financeiro pessoal, tornam-se, na mente de alguns tristes brasileiros, obsoletos e desnecessários. “Pagar 50 reais por um livro, ou para assistir a uma peça de teatro é demais”. Esta argumentação é a base do discurso popular de que trato neste texto, o qual, em sua maioria, caracteriza o investimento em produtos culturais como supérfluo, e sugere que os mesmos possuem preço abusivo.