Sofia Silva
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| Cartaz do filme "Ruby Sparks" |
A ideia é simples. Transarte é o movimento de uma arte em outra arte. Fácil? Com certeza, essa ideia já foi explorada por algum pensador e nomeada sabe-se lá como. Dessa forma, para seguir em frente, vamos nos agarrar a esse esboço de ideia. Arte dentro de arte. Literatura dentro da música. Artes plásticas dentro de cinema. Basicamente um balaio de gato entre as sete artes, um suco cultural enlouquecido de arte construindo arte.
Para simplificar melhor a proposta, apresento alguns momentos do filme "Ruby Sparks, a namorada perfeita". Paul Dano e Zoe Kazan fazem o par romântico Calvin e Ruby, que nos contam a história de um escritor que passa por um bloqueio criativo (com direito a analista e tudo). Quando consegue, enfim, escrever, Calvin encontra a protagonista de seu livro,viva, em carne e osso, na sua cozinha, se divertindo com o café da manhã.
A proposta deste texto não é uma resenha. Porque o momento é de viajar na transarte e se divertir com as curiosidades do filme que trança a primeira arte dentro da sétima. Para isso, segue um tour de prints do filme, com dois tímidos momentos da inserção da literatura no filme.
Rubby: Qual o nome do seu cachorro?
Calvin: Uh, Scotty.
Rubby: Você é escocês?
Calvin: Não, o chamei assim por causa do F. Scott Fitzgerald.
Rubby: Quem?
Calvin: F.Scott Fitzgerald. O romancista. “O Grande Gatsby”.
Rubby: Eu não leio muita ficção.
Calvin: Nunca ouviu falar de F.Scott Fitzgerald?
Rubby: Por que? É muito famoso e importante?
Calvin: É um dos maiores romancistas da história.
Rubby: Não é uma falta de respeito?
Calvin: O que?
Rubby: Dar o nome dele ao seu cachorro. É uma falta de respeito.
Calvin: Não, é uma homenagem.
Rubby: É, uma homenagem agressiva. Você é romancista. Acha que esse cara é melhor. Daí dá o nome dele ao seu cachorro para diminuí-lo. Pode colocar uma coleira nele e gritar “Scott feio” e se sentir superior porque você urina em um banheiro... Matar seus ídolos. Sou totalmente a favor.
O livro "O Grande Gatsby", de F.Scott Fitzgerald é de fato uma marca da literatura americana, tanto que já foi até mesmo adaptado para o cinema três vezes. A primeira em 1974, a segunda em 2000 e esse ano estreia a terceira adaptação, dirigida por Baz Luhrmann, diretor do premiado filme Moulin Rouge.
O livro que Scott está destruindo é uma cópia de "O Apanhador do Campo de Centeio", de J.D.Salinger que, por sinal, aparece em vários outros momentos.
Essa interdisciplinaridade entre as artes é tão antiga que existe um tal diretor espanhol, aquele que chamam de Almodóvar, que faz isso há muito tempo e tão bem que dá conta de mais de uma arte ao mesmo tempo, como no longa “Fale com ela”, que se inicia com uma dança de Pina Bausch, inclui no meio um pocket show de Caetano Veloso e ainda tem, em seu recheio, um curta em preto e branco.
Esses dois exemplos são apenas uma pequena parte, pois quem nunca viu um filme e reparou em algum detalhe que reconheceu a referência? Isso é a transarte. Antiga ou não, esse movimento de transpassar das artes entre as mesmas é imensurável. E se ninguém, ainda nomeou-o que seja então TRANSARTE – o ir e vir de auto-alimentação que renova o fôlego da originalidade. E com todo o direito do trocadilho: que sejamos, então, transoriginais!
Para simplificar melhor a proposta, apresento alguns momentos do filme "Ruby Sparks, a namorada perfeita". Paul Dano e Zoe Kazan fazem o par romântico Calvin e Ruby, que nos contam a história de um escritor que passa por um bloqueio criativo (com direito a analista e tudo). Quando consegue, enfim, escrever, Calvin encontra a protagonista de seu livro,viva, em carne e osso, na sua cozinha, se divertindo com o café da manhã.
A proposta deste texto não é uma resenha. Porque o momento é de viajar na transarte e se divertir com as curiosidades do filme que trança a primeira arte dentro da sétima. Para isso, segue um tour de prints do filme, com dois tímidos momentos da inserção da literatura no filme.
Rubby: Qual o nome do seu cachorro?
Calvin: Uh, Scotty.
Rubby: Você é escocês?
Calvin: Não, o chamei assim por causa do F. Scott Fitzgerald.
Rubby: Quem?
Calvin: F.Scott Fitzgerald. O romancista. “O Grande Gatsby”.
Rubby: Eu não leio muita ficção.
Calvin: Nunca ouviu falar de F.Scott Fitzgerald?
Rubby: Por que? É muito famoso e importante?
Calvin: É um dos maiores romancistas da história.
Rubby: Não é uma falta de respeito?
Calvin: O que?
Rubby: Dar o nome dele ao seu cachorro. É uma falta de respeito.
Calvin: Não, é uma homenagem.
Rubby: É, uma homenagem agressiva. Você é romancista. Acha que esse cara é melhor. Daí dá o nome dele ao seu cachorro para diminuí-lo. Pode colocar uma coleira nele e gritar “Scott feio” e se sentir superior porque você urina em um banheiro... Matar seus ídolos. Sou totalmente a favor.
O livro "O Grande Gatsby", de F.Scott Fitzgerald é de fato uma marca da literatura americana, tanto que já foi até mesmo adaptado para o cinema três vezes. A primeira em 1974, a segunda em 2000 e esse ano estreia a terceira adaptação, dirigida por Baz Luhrmann, diretor do premiado filme Moulin Rouge.
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| E esse é o cachorrinho Scott |
Essa interdisciplinaridade entre as artes é tão antiga que existe um tal diretor espanhol, aquele que chamam de Almodóvar, que faz isso há muito tempo e tão bem que dá conta de mais de uma arte ao mesmo tempo, como no longa “Fale com ela”, que se inicia com uma dança de Pina Bausch, inclui no meio um pocket show de Caetano Veloso e ainda tem, em seu recheio, um curta em preto e branco.
Esses dois exemplos são apenas uma pequena parte, pois quem nunca viu um filme e reparou em algum detalhe que reconheceu a referência? Isso é a transarte. Antiga ou não, esse movimento de transpassar das artes entre as mesmas é imensurável. E se ninguém, ainda nomeou-o que seja então TRANSARTE – o ir e vir de auto-alimentação que renova o fôlego da originalidade. E com todo o direito do trocadilho: que sejamos, então, transoriginais!




