5 de mai. de 2013

O cara que dá vida aos objetos

Renan Guerra

Sabe quando você percebe carinhas pela cidade? Seja nos faróis dos carros, nas portas e janelas, ou até mesmo nos mais ínfimos objetos? Às vezes ainda imaginamos um mundo em que os objetos falam e tem sensações assim como humanos, numa fábula à la “A Bela e a Fera”, na qual xícaras, talheres e castiçais saem por aí cantarolando e dançando. Pode soar como coisa de criança, porém foi numa dessas, quando o papel higiênico chegou ao fim e sobrou apenas o rolinho de papelão, que Guilherme Bandeira deu start no seu projeto Objetos InAnimados. “O papel acabou e me coloquei no lugar daquele rolinho que tinha se libertado do ‘rolo’ em que estava. Já na prancheta, resolvi criar um diálogo entre o rolo liberto e o rolo ainda preso nos papeis... A partir daí nunca mais consegui ver os objetos da mesma maneira”, revela o publicitário.

Surgidos como um livro, os Objetos InAnimados hoje se espalharam pela rede, fazendo muito sucesso no Facebook com suas sacadas simples sobre coisas que nem imaginamos. “Depois do lançamento do primeiro livro em março de 2012, as ideias continuaram a brotar e veio a necessidade de criar uma página para dar seguimento ao projeto. Uma das características da página, desde quando começou, é a interação com os seguidores. Já surgiram dezenas de cartuns só nessa troca de ideias.”


Com o sonho de ser um mix de super heróis (“gostaria de ter o dinheiro do Batman e Tony Stark, a personalidade do Wolverine - isso já tenho -, a bondade do Super-Homem, a telepatia do Professor Xavier e o humor do Homem-Aranha”), Guilherme foi uma criança rodeada por uma família de artistas, que lhe deu apoio e suporte, até mesmo de forma indireta, como nas suas leituras às escondidas da clássica revista Mad. Aos nove anos, Guilherme sempre dava um jeito de encontrar as edições da revista estadunidense de humor, sem contar que “ainda criança, além de Ziraldo e o grande Mauricio de Sousa, acompanhava o trabalho dos mestres Angeli, Laerte e Glauco, na revista Chiclete com banana.”


Publicitário, por considerar que era a profissão formal que mais se aproximava de sua arte, Guilherme já teve outros projetos desde que saiu de casa aos 16 anos para buscar seus sonhos por conta própria. Atualmente, ele presta serviços para agências de propaganda, editoras, jornais, revistas e ainda mantém uma loja virtual de produtos relacionados aos Objetos InAnimados. “Quando construímos um público fiel, ele passa a consumir o que você produz. Como meu caminho foi o inverso do que acontece geralmente com as webcomics - eu lancei o livro e depois dei continuidade na internet - então foi mais fácil oferecer alguns produtos além do livro. A ideia surgiu devido às solicitações dos leitores.”

Dando vida a materiais corriqueiros de nosso cotidiano, Guilherme apresenta um olhar leve e divertido, em situações que geralmente nos passam despercebidas. Duvido que após a leitura de alguns cartuns você não irá sair por aí pensando nas falas de seus objetos, sejam os utensílios da cozinha ou seu material escolar. Porém, cuidado: seu teclado e seu mouse podem, neste momento, estar tecendo comentários maldosos sobre a gordurinha de seus dedos.