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| Todas as selfies que compõem esse post foram achadas numa rápida pesquisa pelo Google. |
Dia desses, eu estava visitando a exposição do
Sebastião Salgado, “Gênesis”, na Usina do Gasômetro em Porto Alegre, quando, lá
pelas tantas, um homem diz a sua mulher “nessa aqui, ó, as dunas são ótimas”,
apontando para a obra exposta na parede. Logo, os dois se viram de costas para
a fotografia que mostra belas dunas de areia da África e o moço posiciona seu
celular para uma selfie romântica em frente à imagem. Eu, que queria seguir
apreciando a exposição, tive que esperar o casal acertar a foto, depois de umas
três tentativas, até conseguir ver as obras seguintes.
Nada disso me causou raiva, mas sim uma dúvida: qual
o real sentido de uma foto em uma exposição fotográfica? Não me venham com uma
desculpa relacionada à metalinguagem. Parece-me uma necessidade desmedida de
fotografarmos tudo que vemos (e aqui me incluo no balaio), ao invés de
aproveitarmos o momento. Nesse sentido, lembro que todas as pessoas que eu
conheço que já foram ao Louvre, ao se aproximarem da “Monalisa”, de Da Vinci,
surpreendem-se, para além de seu tamanho diminuto, com a quantidade de pessoas
em seu entorno, tentando fotografá-la (e essas mesmas pessoas que conheço
também têm fotos da Monalisa).

