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| Todas as selfies que compõem esse post foram achadas numa rápida pesquisa pelo Google. |
Dia desses, eu estava visitando a exposição do
Sebastião Salgado, “Gênesis”, na Usina do Gasômetro em Porto Alegre, quando, lá
pelas tantas, um homem diz a sua mulher “nessa aqui, ó, as dunas são ótimas”,
apontando para a obra exposta na parede. Logo, os dois se viram de costas para
a fotografia que mostra belas dunas de areia da África e o moço posiciona seu
celular para uma selfie romântica em frente à imagem. Eu, que queria seguir
apreciando a exposição, tive que esperar o casal acertar a foto, depois de umas
três tentativas, até conseguir ver as obras seguintes.
Nada disso me causou raiva, mas sim uma dúvida: qual
o real sentido de uma foto em uma exposição fotográfica? Não me venham com uma
desculpa relacionada à metalinguagem. Parece-me uma necessidade desmedida de
fotografarmos tudo que vemos (e aqui me incluo no balaio), ao invés de
aproveitarmos o momento. Nesse sentido, lembro que todas as pessoas que eu
conheço que já foram ao Louvre, ao se aproximarem da “Monalisa”, de Da Vinci,
surpreendem-se, para além de seu tamanho diminuto, com a quantidade de pessoas
em seu entorno, tentando fotografá-la (e essas mesmas pessoas que conheço
também têm fotos da Monalisa).
Tira-se foto em todo lugar a todo o momento. Tempos
atrás, muitas pessoas compartilharam, em tom de crítica, a foto de uma menina
que tirou uma selfie bem em frente à projeção do cinema. Dia desses até a
cantora Mallu Magalhães postou sua fotinho na exposição da Yayoi Kusama (ok que
as bolinhas da japonesa são suficientemente pops, mas seria esse o espaço para ficar
fotografando?). O problema em torno do ato de fotografar tudo e a toda hora
virou proposta de lei no Rio de Janeiro: o vereador Marcelo Arar (PT-RJ) propôs que teatros e cinemas deverão ter
placas alertando de que o uso de celulares ou smartphones é proibido dentro das
salas, sob pena de multa de até R$ 1 mil, lei parecida à que já existe em
Salvador, na Bahia (o jornal O Globo até fez uma matéria ótima sobre essa
polêmica).
Quando visitei a
exposição “Impressionismo: Paris e a Modernidade”, no CCBB, as pessoas já eram
avisadas que não poderiam fotografar. Ninguém reclamou ou teve sua visita
prejudicada por isso. É uma forma de transformar algo tão interessante como uma
exposição de arte num momento único, tentando resgatar a aura da obra
artística. As salas têm suas cores planejadas para a apreciação das obras, com
luz específica para aquele momento, para que a experiência vivenciada seja
única. Essa é a intenção por trás da arte. Não que seja atrapalhado pelo flash
de uma câmera num selfie em frente a’O Tocador de Pífaro.
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| Polêmicas a parte, a selfie do rapper Eminem, juntinho da Monalisa, já é um clássico da internet ♥ |




