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12 de jul. de 2014

#eueamonalisa: tirando uma selfie na exposição de arte

Renan Guerra

Todas as selfies que compõem esse post foram achadas
numa rápida pesquisa pelo Google.
Dia desses, eu estava visitando a exposição do Sebastião Salgado, “Gênesis”, na Usina do Gasômetro em Porto Alegre, quando, lá pelas tantas, um homem diz a sua mulher “nessa aqui, ó, as dunas são ótimas”, apontando para a obra exposta na parede. Logo, os dois se viram de costas para a fotografia que mostra belas dunas de areia da África e o moço posiciona seu celular para uma selfie romântica em frente à imagem. Eu, que queria seguir apreciando a exposição, tive que esperar o casal acertar a foto, depois de umas três tentativas, até conseguir ver as obras seguintes.

Nada disso me causou raiva, mas sim uma dúvida: qual o real sentido de uma foto em uma exposição fotográfica? Não me venham com uma desculpa relacionada à metalinguagem. Parece-me uma necessidade desmedida de fotografarmos tudo que vemos (e aqui me incluo no balaio), ao invés de aproveitarmos o momento. Nesse sentido, lembro que todas as pessoas que eu conheço que já foram ao Louvre, ao se aproximarem da “Monalisa”, de Da Vinci, surpreendem-se, para além de seu tamanho diminuto, com a quantidade de pessoas em seu entorno, tentando fotografá-la (e essas mesmas pessoas que conheço também têm fotos da Monalisa).